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Esporte

Final com céu azul, sofrimento e confusão nas ruas de Copacabana

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Domingo, 13 de julho, final da Copa. O último dia do mundial recebeu tratamento especial dos deuses cariocas. O cenário estava prefeito. Após dias de chuva e tempo nublado, a final da Copa do Mundo entre Alemanha e Argentina foi disputada com tempo aberto na Cidade Maravilhosa. Aproveitei o céu azul e resolvi subir o morro do Corcovado. Dias antes havia ido até o local, mas a chuva faria com que a viagem fosse perdida. Mas não no domingo.


 


Obviamente, a presença de turistas estrangeiros era enorme. Mexicanos, colombianos, americanos, peruanos, argentinos e alemães. Essas eram algumas das nacionalidades possíveis de serem observadas já no embarque trem que leva os turistas até o Cristo Redentor. Lá em cima, a vista impressionava. O Maracanã, palco da final, era visto com olhar especial pela maioria das pessoas. Com a proximidade do horário da final, as filas para descer do Cristo aumentavam. Demorei mais de 25 minutos para conseguir embarcar.


 


Quando cheguei na Fan Fest, localizada na praia de Copacabana, um mar de gente acompanhava a partida. Os 20 mil lugares de capacidade do espaço não foram suficientes, e todas as faixas da avenida Atlântica estavam abarrotadas de turistas e moradores locais. De acordo com os organizadores, mais de 800 mil pessoas passaram pela Fan Fest em 24 dias de evento. Antes do jogo, as baterias das escolas de samba do Salgueiro e da Unidos da Tijuca animaram a multidão. Após a decisão, quem comandou a festa do título foi o Monobloco.


 


A provocação entre brasileiros e argentinos aconteceu de maneira amistosa até o gol de Mario Götze, aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação. Foi só a rede balançar para as cenas de violência começar. Muitas brigas e garrafas e latas terminaram atiradas. Os policiais militares que faziam a segurança do lado de fora do espaço tiveram muito trabalho para conter a multidão.


 


Era possível ver grupos de torcedores brasileiros e argentinos se provocando em bares da orla. O garçom de um restaurante comemorava o título alemão. “Principalmente por causa de um grupo que veio aqui, tomou caipirinha, cerveja, comeu e saiu sem pagar. Hoje não quero ver nem o Messi na minha frente”.


 


Para deixar o bairro de Copacabana, mais tumulto. A estação Cardeal Arcoverde do metrô estava com uma fila interminável, então decidi seguir a pé e tomar um táxi ou ônibus mais à frente para embarcar e seguir até o bairro de Laranjeiras. Foram aproximadamente oito quadras caminhando até conseguir um táxi vazio. O motorista, que me levou até a estação Botafogo, se dizia inconformado com a falta de veículos disponíveis. “O pessoal (taxistas) não quer trabalhar, quer ver a final. Olha a quantidade de gente pedindo táxi, dá até dó”, dizia, apontando para os cidadãos enfileirados nas calçadas. A estação Botafogo do metrô estava praticamente vazia, então segui tranquilamente até o Largo do Machado. Ali, mais 20 minutos de espera até a saída do ônibus circular que me deixaria próximo ao apartamento.


 


Chegava ao fim o último dia da Copa do Mundo, e com ela a experiência de passar pelas 12 cidades-sede que receberam os jogos do mundial em nosso país. Muitas coisas positivas, outras nem tanto. Fica a certeza que o Brasil pode e consegue organizar qualquer evento de maneira exemplar. Mas mais que isso, fica a lição que o país tem condições de colocar em prática um sistema organizacional decente para seu povo. Basta querer e ter vontade, como foi visto durante o mês em Manaus, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Brasília, Cuiabá, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, São Paulo e no Rio de Janeiro.


 



 


Márcio Ceccarelli
editor@braziliannews.uk.com