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Sábado de Maracanã, astros na areia e mais um vexame brasileiro

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Véspera de final de Copa do Mundo e tempo nublado no Rio de Janeiro. Como no domingo o entorno do Maracanã estaria fechado, com acesso só às pessoas que tinham ingresso para o jogo, decidi visitar o palco no sábado. O metrô foi meu meio de acesso, assim como seria para grande parte dos torcedores que assistiram a final da Copa do Mundo entre Alemanha e Argentina. As estações São Cristóvão e Maracanã são as mais próximas ao estádio, que recebeu mais de mais de 74 mil pessoas na decisão.


 


Na ida, destaque para os trens exclusivos para mulheres. Para evitar o assédio masculino durante os horários de pico, o Governo do Rio criou uma lei estadual obrigando o metrô a oferecer vagões exclusivos às mulheres. O serviço funciona desde 2006 em dias úteis, das 6h às 9h e das 17h às 20h.


 


Desembarquei na estação Maracanã, que dá acesso ao estádio através de uma plataforma que passa por cima da avenida Presidente Castelo Branco. O estádio, cuja reforma ultrapassou R$1,3 bilhão, continua com a mesma aparência por fora. Muita gente teve a mesma ideia que eu, e era possível ver diversos grupos caminhando em volta do estádio e tirando fotos, além de torcedores sendo entrevistados por meios de comunicação.


 


Um grupo de mexicanos tirou gargalhadas de argentinos e brasileiros enquanto aguardavam para ser entrevistados. Ao se juntar aos argentinos começaram a cantar o nome do principal jogador da equipe albiceleste. “Messi, Messi, Messi’, para em seguida continuar a cantoria, “México, México, México”.


 


Apesar de em minoria, os alemães também marcavam presença, e buscavam bilhetes para a final. “Mas aqui no Maracanã está complicado. Tenho um amigo em Ipanema que está negociando num hotel. Espero que ele consiga”, dizia o torcedor do Borussia Dortmund.


 


O sábado era também dia da decisão de terceiro lugar entre Brasil e Holanda. As equipes se enfrentariam em Brasília, e também gostaria de acompanhar o adeus da seleção. Peguei novamente o metrô com destino à zona sul da cidade. Àquela altura do dia, os trens já estavam bem mais cheios, com diversas pessoas com as camisas da seleção.


 


Enquanto caminhava pela Avenida Vieria Solto, me deparei com uma certa aglomeração em frente a um quiosque no posto 9. Quando me aproximei, pude ver que se tratava de uma partida de futevôlei. E definitivamente uma partida comum. O primeiro ex-futebolista que reconheci foi o argentino Sebastián Verón. ‘La Brujita Verón’ foi um dos maiores volantes da história do futebol mundial. Christian Vieri, ex-atacante italiano que passou por Juventus, Torino, Internazionale e Milan também estava na areia, assim como o francês Lilian Thuram, jogador com mais partidas pela seleção francesa e campeão da Copa de 98.


 


Na torcida, mais um grande ex-jogador, Fabio Canavarro. O italiano era o capitão da Itália no título mundial de 2006, e eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo naquele ano. Após a partida, todos atenderam aos fãs. O único que demonstrava algum descontentamento com o assédio era Vieri.


 


Parar para assistir os grandes ídolos me fez perder praticamente todo o primeiro tempo do duelo brasileiro. Quando parei em um quiosque para ver o jogo, já estava 2 a 0 para os holandeses. Era claro o descontentamento dos torcedores com o time de Felipão. Porém, secar a Argentina era mais importante, e a todo momento, mesmo com a derrota, era possível ouvir gritos de incentivo aos alemães e deboche aos Hermanos.


 


Após o jogo, segui até um restaurante na rua Bolívar, na praia de Copacabana, para jantar. E se não bastasse a quantidade de torcedores argentinos no local, o local escolhido também pertencia a um Hermano. Quanto mais o tempo passava, mais abarrotada a rua foi ficando, colorida em azul e branco, até que fosse fechada. Era uma invasão. Não havia outra palavra para descrever o que acontecia na capital fluminense.


 



 


Márcio Ceccarelli


editor@braziliannews.uk.com