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Esporte

Vexame histórico e classificação argentina para a final

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A terça-feira de semifinal começou a movimentar a capital mineira desde cedo. Nas ruas, bandeiras e camisas do Brasil eram vendidas, e o torcedor mostrava muita confiança na equipe do técnico Felipão. Os noticiários matinais mostravam isto, com comentaristas bradando a campanha e a história da Seleção brasileira em retas finais de Copas do Mundo.


 


Saí de Nova Lima, onde estava hospedado, e segui até Belo Horzonte. Ao contrário do que havia acontecido quando a seleção alemã chegou em Belo Horizonte, não havia trânsito na entrada da cidade. A prefeitura havia decretado feriado e os órgãos de trânsito fecharam a ligação intermunicipal que liga as cidades, ponto onde ficava o hotel da seleção alemã.


 


O percurso até região da Savassi, tradicional ponto de torcedores mineiros, não foi modificado. Para assistir ao jogo no local, era preciso ter entradas. Isso porque a prefeitura limitou o número de pessoas no local para não haver confusões. Foram distribuídas 30 mil bilhetes para o local, trocados por um quilo de alimento não perecível. Alguns quarteirões principais foram fechados para o evento, que teria show do cantor Lô Borges após jogo.


 


De lá, segui para a praça JK, mais um dos pontos organizados pela prefeitura da capital mineira para que os torcedores pudessem assistir à partida entre Brasil e Alemanha. Decidi assistir ao jogo ali mesmo. Antes do jogo muita festa com o grupo Bem te Viu, que tocava marchinhas de carnaval. Mas muitos dos oito mil torcedores estimados no local deixaram a praça antes mesmo do encerramento do primeiro tempo. A vexatória apresentação da equipe canarinho acabou com o ânimo de muitos. Coube ao cantor Flávio Renegado animar os que permaneceram para a festa.


 


Eu, no entanto, corri para a rodoviária. Tinha ônibus para São Paulo poucas horas após o encerramento da partida. Foi meu primeiro trajeto por rodovia durante o período no Brasil. Assim como eu, milhares de pessoas caminhavam ainda na noite de terça-feira para a capital paulista. Alguns deles, como o administrador palmeirense Fernando, morador de São Paulo. Ele havia assistido à derrota brasileira no Mineirão, e ainda tinha ingresso para acompanhar a segunda semifinal, entre Holanda e Argentina, no Itaquerão.


 


Enquanto comentávamos a pífia apresentação brasileira, um senhor sentado ao lado disparou. “Saí do estádio com 15 minutos do segundo tempo. Se eu estivesse usando um medidor de raiva no jogo, ele explodiria”. Deixamos a bela capital mineira com quinze minutos de atraso. Após três paradas em postos na beira da estrada e sete horas de viagem, chegamos já de manhã na rodoviária do Tietê. Chovia na capital paulista, motivo de festa para os cidadãos.


 


No dia em que Argentina x Holanda se enfrentariam, chovia em grande parte do município. Um relatório produzido pelo Centro Tecnológico de Hidráulica e Recursos Hídricos mostrou que uma crise de estiagem tão crítica quanto a registrada no Sistema Cantareira este ano acontece apenas a cada 3.378 anos. A probabilidade do cenário se repetir é de apenas 0,033%. Segundo a Sabesp, empresa que fornece água em São Paulo, as chuvas têm ficado abaixo das médias históricas, contribuindo ainda mais para a seca. De acordo com o órgão, o sistema Cantareira abastece 8 milhões de pessoas na capital e em parte da Grande São Paulo.


 


Fiquei hospedado na casa de amigos, e aproveitei o tempo fechado e organizei minhas coisas, afinal de contas São Paulo era a 11ª cidade que eu passava desde o início da Copa. Roupa na máquina de lavar e olho no noticiário. O cenário era de luto.


 


A vexatória derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha era manchete dos principais jornais do país e do mundo naquela quarta-feira. Foi a maior derrota do Brasil em um Copa do Mundo. Humilhação, fracasso, vergonha eram alguns dos adjetivos utilizados pelos meios de comunicação para definir o vexame brasileiro.


 


E no final da tarde a Argentina ainda conseguiu a classificação para a final ao bater a Holanda nos pênaltis. Definitivamente não era o que a maioria dos brasileiros esperavam para as semifinais. Mas a viagem tinha que seguir e o próximo destino já estava traçado: o palco da final!


 



 


Márcio Ceccarelli
editor@braziliannews.uk.com