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Segundo dia em Belo Horizonte com tradição e susto

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A capital mineira já respirava decisão já no domingo. Brasil e Alemanha jogariam dois dias depois por uma vaga na final da Copa do Mundo. O vencedor chegaria à oitava final na história. O palco da semifinal foi o Mineirão. Situado no complexo arquitetônico e paisagístico da Pampulha, o estádio tem capacidade para pouco mais de 62 mil torcedores. A lagoa artificial, cuja extensão tem mais de 18 quilômetros, foi construída na década de 1940. O entorno foi desenhado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que projetou um conjunto arquitetônico que se tornou referência e influenciou toda a Arquitetura Moderna Brasileira.


 


Ali estão a igreja de São Francisco de Assis, o Museu de Arte, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube, além dos jardins de Burle Marx, a pintura de Portinari e as esculturas de Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa. O ponto concentra grande quantidade de turistas. Na igreja de São Francisco de Assis, há catorze painéis de Cândido Portinari, considerada uma de suas obras mais significativas. Na frente da igreja havia um carro da Belotur, órgão turístico do governo mineiro. De acordo com os funcionários, a unidade móvel estava funcionando apenas durante a Copa. Com guias oferecendo passeios pela cidade, era possível também enviar castões postais com imagens de Belo Horizonte para qualquer local do mundo, gratuitamente. Até o domingo, mais de 12 mil envios haviam sido realizados, com 40 países catalogados.


 


Saindo de lá, passei no Mercado Central. Uma das tradições do povo mineiro é frequentar os bares do local aos finais de semana. Apesar de pequenos, os estabelecimentos servem porções de pratos típicos, como o fígado acebolado. Na época da Copa do Mundo, o movimento de turistas aumentou consideravelmente de acordo com os comerciantes. Chilenos, colombianos e argentinos foram os torcedores que mais compareceram ao local.


 


O ponto alto do dia, no entanto, ainda estava por vir. Ao deixar o Mercado Central vivi uma situação um tanto quanto incômoda. Estava no carro de um amigo com sua esposa e mais um colega. Ao entrar numa avenida, vimos um carro dando ré bruscamente e um cidadão correndo com uma bolsa na mão. Havia sido um assalto. Naquele instante o colega do meu amigo se indignou, pedindo para que ele acelerasse o carro para que fosse possível parar o meliante. Assim que pôde deixou o carro e passou a perseguir o ladrão a pé, enquanto seguíamos de carro por um pontilhão para tentar encontrá-lo depois do viaduto em que havia entrado. Quando chegamos ao local, já vimos o ladrão imobilizado no chão, com o dono do carro que havia sido assaltado ao telefone falando no telefone.


 


Em poucos minutos a polícia chegou e colheu depoimentos de todos os presentes. O telefone e a bolsa que o homem de aproximadamente 25 anos havia tirado do carro estavam sendo vistoriados. Enquanto isso o ladrão chorava pelos 'cascudos' que tinha tomado e ainda sofria ameaças verbais de todos que passavam. Conversando com os policiais, o Barro Preto, bairro da capital mineira, é um ponto de grande concentração de usuários de crack, o que faz com que o local receba diversas chamadas de pequenos furtos como o daquele domingo. Ainda de acordo com os policiais, o cidadão seria encaminhado para a delegacia e enquadrado no artigo 157 do Código Penal, roubo, que pode dar quatro a dez anos de prisão.


 



 


Márcio Ceccarelli
editor@braziliannews.uk.com