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Há nove anos, Londres era abalada pelo terror e Jean Charles de Menezes morria em Stockwell

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LONDRES (por Julio Rocha) - Os britânicos relembram hoje os nove anos dos atentados terroristas de Londres que matou 52 pessoas, na manhã do dia 7 de julho de 2005, tornando-se o ataque de maior número de vítimas na capital inglesa desde a Segunda Guerra Mundial.
Os atentados coincidiam com o início da reunião de cúpula do G8 em Gleneagles, na Escócia, e ocorreram um dia depois da escolha de Londres como sede dos Jogos Olímpicos de 2012.
Três bombas explodiram quase que simultaneamente em três estações de metrô por volta das 08h50, seguidas de uma quarta menos de uma hora depois em um ônibus na Tavistock Square.
Os trens do metrô atingidos estavam próximos das estações Aldgate, Edgware Road mais a oeste, e dentro de um túnel entre King's Cross e Russell Square.
Os autores levavam suas bombas dentro de mochilas. Eles puderam ser identificados através dos documentos, encontrados nos locais das explosões. Três deles eram britânicos de origem paquistanesa moradores de Leeds, no norte da Inglaterra. O quarto era um britânico de origem jamaicana convertido ao Islã.
Londres não tardou a associar os atentados à Al-Qaeda. O relatório parlamentar divulgado depois informava que dois dos suicidas "provavelmente" entraram em contato com o movimento radical islâmico quando estiveram no Paquistão em 2003, e entre novembro de 2004 e fevereiro de 2005.
No dia 21 de julho, duas semanas após os primeiros ataques, Londres se salvou de uma nova série de quatro atentados semelhantes. Mas as bombas não explodiram. Os quatro autores, que não eram ligados aos terroristas de 7 de julho, de acordo com as autoridades britânicas, seriam presos pouco tempo depois.
No dia seguinte aos ataques frustrados, o mineiro Jean Charles de Menezes foi confundido com o terrorista Hussain Osman pelos oficiais da Scotland Yard e fuzilado dentro de um vagão da Northern Line do metrô, que estava parado em Stockwell.
Alex Pereira, primo de Menezes que morava com ele, afirmou que o rapaz foi baleado pelas costas.
Segundo a Agência Brasil, na época o Ministério das Relações Exteriores publicou nota oficial afirmando que o governo brasileiro ficou "chocado e perplexo" ao tomar conhecimento da morte de um brasileiro, "aparentemente vítima de lamentável erro", e que aguarda explicações das autoridades britânicas sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles.
No entanto, a Comissão Independente de Investigação de Queixas da Polícia (CIIQ, em inglês) concluiu que Ian Blair, chefe da Scotland Yard na época, tentou impedir que a morte de Jean Charles fosse investigada.