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Cidade do México: além da sua imaginação (Parte II)

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As traineiras nos canais de Xochimilco

Por Julio Rocha | juliorocha@live.com


Amanhece na maior cidade do mundo. Abro a janela do quarto do hotel, localizado no Paseo de la Reforma, e ao longe vejo, um pouco tímido escondido pelo smog (smoke + fog), “El Popo”. Assim chamam os mexicanos o vulcão Popocatépetl, localizado 60 km ao sudeste da Cidade do México. Seu nome significa "montanha fumarenta" em Nahuatl. É parte do Parque Nacional Izta-Popo Zoquiapan. O seu cume atinge 5.426 metros de altitude e é o segundo mais alto do México, a seguir ao Pico de Orizaba.


Então, vamos tomar um café da manhã? Para fugir da mesmice que são os dejejuns oferecidos pelos hoteis, mundo afora, minha amiga mexicana Herzel me convidou para ir ao Mercado de Xochimilco. Um pouco distante do centro. Para chegar até lá, pegue um táxi e lembre-se de perguntar ao motorista quanto custará a corrida.


Visitar o mercado foi uma experiência deliciosa, cultural e, sem dúvida, a melhor maneira de conhecer a tradição da culinária local. Entre e deixe-se seduzir pelas frutas coloridas, as barracas de comida, a variedade de plantas e flores, brinquedos e muitas outras bugigangas que são vendidas ao longo da calçada.


Certamente chamará a sua atenção as imensas panelas de barro com diferentes tipos de mole – um tempero preparado com mais de 30 ingredientes. Às vezes, o mole pode conter chocolate, especiarias, frutas, entre outros ingredientes que datam dos tempos pré-hispânicos. Se você quer conhecer uma comida diferente, sugiro experimentar as 'quesadillas' de massa azul ou então alguns tacos de frango.


Xochimilco está no sul da capital e é conhecida mundialmente como a “Veneza mexicana” por estar cercada de canais que foram formados por antigas e extensas chinampas. Os canais de Xochimilco são agora uma atração turística popular, atraindo muitas pessoas às suas margens. Os canais são particularmente populares nos finais de semana e feriados, quando muitas famílias mexicanas e turistas alugam belas traineiras enfeitadas com flores, que podem oferecer serviços de música mariachi e comida, muita comida.


Na parte da tarde, voltei ao centro da cidade e me encontrei com meu amigo americano Paul, que mora em Nova Iorque e também estava no México a passeio. Fomos conhecer juntos o Museu Nacional de Antropologia, ao lado do Bosque de Chapultepec. Inaugurado em 1964, exibe importantes artefatos arqueológicos e antropológicos das culturas pré-colombianas do México, como a Pedra do Sol, também conhecida como o calendário asteca, e a estátua de Xochipilli do século XVI. Estes dois primeiros exemplares foram os que mais me chamaram a atenção.


Caminhando mais pelo museu, você verá as cabeças de pedra gigantes da civilização olmeca encontradas nas selvas de Tabasco e Veracruz, tesouros da civilização maia recuperados em Chichen-Itzá, uma réplica da tampa do sarcófago de Pacal, o grande encontrado em Palenque e mostras etnológicas da vida rural mexicana contemporânea. Tem também uma maquete da localização e planta da antiga capital asteca Tenochtitlan, local hoje ocupado pela zona central da moderna Cidade do México.


Mais um dia se passou e logo pela manhã minha amiga mexicana volta ao hotel para irmos ao Parque Arqueológico de Teotihuacán, no Estado do México. O local foi o centro urbano da Mesoamérica pré-colombiana, 48 km a nordeste da atual Cidade do México. Hoje é conhecida pelas pirâmides do Sol e da Lua. Além dos edifícios piramidais, Teotihuacan também é antropologicamente significativa por seus complexos residenciais multi-familiares, pela Avenida dos Mortos e por seus vibrantes murais que foram muito bem preservados. Acredita-se que a cidade tenha sido construída em torno do ano 100 a.C. E que mais de 125 mil pessoas tenham habitado naquele lugar.


Voltando de carro para o DF, demos uma parada na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe. O templo dedicado à santa padroeira da América Latina é o segundo local católico mais visitado no mundo perdendo, somente, para a Basílica de São Pedro, no Vaticano. A basílica nova abriga a imagem da santa que, segundo os católicos, apareceu sobre um manto, exibido na nave central do santuário.


Por último, seguimos em direção ao bairro de Coyoacán e chegamos ao número 247 da Rua Londres. Lá está a 'Casa Azul' onde moraram Frida Kahlo e Diego Rivera. Hoje, o lugar funciona como museu à vida e obra dos artistas mexicanos com retrospectiva de suas obras, objetos, móveis e documentos inéditos, além de fotografias, desenhos, vestidos e livros.


E aqui terminamos a nossa viagem em dois capítulos à Cidade do México. Se você está de viagem marcada para aquela região, fica aqui a minha dica de um lugar incrível a ser visitado e guardado nas suas lembranças para sempre.