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Brasília, capital que mistura inúmeras belezas com dificuldades sociais

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Que Brasília é uma bela cidade, ninguém tem dúvidas. O 'Plano Piloto', como é conhecido, começou a ser planejado e desenvolvido em 1956 por Lúcio Costa e pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Inaugurada em 21 de abril de 1960, pelo então presidente Juscelino Kubitschek, Brasília é a terceira capital do Brasil. As primeiras foram Salvador e Rio de Janeiro. Quando vista do alto, a cidade se parece com um avião, com  o eixo monumental sendo o corredor. A cidade é comumente referida como "Capital Federal" ou "BSB". A cidade é considerada um Patrimônio Mundial pela UNESCO, devido ao seu conjunto arquitetônico e urbanístico 18 e possui a maior área tombada do mundo, com 112,5 quilômetros quadrados.


 


Apesar das qualidades, a capital brasileira apresenta diversos contrastes. A a maior cidade do mundo construída no século XX possui o segundo maior produto interno bruto per capita do Brasil (45 977,59 reais), o quinto maior entre as principais cidades da América Latina e cerca de três vezes maior que a renda média brasileira.


 


Mesmo assim, Brasília é considerada a cidade que possui a maior desigualdade de renda entre as capitais brasileiras. Além disso, é das capitais que mais se registram homicídios para cada cem mil habitantes no país. Segundo sociólogos, a criminalidade no Distrito Federal, principalmente nas cidades-satélites, é uma herança do crescimento desordenado.


 


Na sexta-feira, 27 de junho, saí pela cidade para ver como está a nossa capital durante a Copa do Mundo. Muita coisa me chamou atenção, e as conversas com comerciantes e gente que trabalha no Plano Piloto foram muito interessantes. Uma delas foi Daniel Batista, de 40 anos.  O goiano de 40 anos, que mora há 20 na cidade, é cadeirante e passa as tardes em frente à Catedral de Brasília pedindo dinheiro. Segundo ele, as dificuldades para quem possui algum tipo de deficiência é grande. "Agora com a Copa deram uma melhorada aqui no eixo. Mas é só você sair das áreas rica e turística pra ver a realidade. As calçadas são todas esburacadas, não tem guia rebaixada, a maioria dos ônibus não é adaptado. Não é fácil", afirma.


 


Turistas de todos os lados e brasileiros 'mão de vaca'
Antes de chegar na Catedral, eu já havia passado por diversos locais de Brasília. Um deles foi a Torre de TV. Foi inaugurada em 1967 e tem 224 metros de altura. É um dos principais pontos de visitação da capital federal. Do mirante, localizado a 75 metros de altura, é possível ver parte do eixo monumental, com o Congresso Nacional e o Lago Paranoá ao fundo.


 


Nos quase 40 minutos que demorei na fila para o elevador, conversei com turistas franceses, colombianos e peruanos. O assunto era o mesmo, a Copa, mas a visão do país variava um pouco. Em resumo, todos estavam gostando da organização das cidades durante o mundial e da festa, mas havia um certo receio sobre a 'maquiagem' que o governo estaria fazendo. Os franceses, principalmente, tinham receio que acontecesse manifestações como as do ano passado.


 


Ao finalmente subir, fiquei conversando com um funcionário, que me disse que entre 3 mil e 3.500 pessoas subiam a torre diariamente durante a Copa. Contudo, não há um número oficial, uma vez que não existe um controle. O mesmo funcionário afirmou que uma roleta deve ser instalada em breve. Apesar do acesso gratuito, apenas um elevador com 18 lugares opera o serviço.


 


Na base da edificação há duas atrações localizadas junto à sua base, uma feira de artesanato e a Praça das Fontes. A feirinha existe no local há quase 40 anos. São mais de 500 barraquinhas, com diversos tipos de artesanatos, entre eles bordados, quadros, jóias e bijuterias, artesanato, roupas, entre outros.


 


Com a Copa, o movimento aumentou. Renata Pereira possui sua barraca na feira há 30 anos, e comemora o aumento das vendas, que pelo menos duplicaram. Segundo ela, os colombianos foram os que mais gastaram no local, seguidos por holandeses, suíços e portugueses. "Os brasileiros me decepcionaram. Eles passaram, foram para o jogo (o local é próximo ao estádio Mané Garrincha), saíram e não compraram nada. Pelo fato de ser Copa, eu também esperava vender mais para os brasileiros", afirmou.


 



 


Márcio Ceccarelli
editor@braziliannews.uk.com