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Domingo de sol e praia lotada, mas sem gente na água

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O domingo amanheceu ensolarado em Recife, com temperatura acima dos 30 graus. Sai em direção à praia de Boa Viagem. No caminho, passei pela banca Atividade, localizada na avenida Conselheiro Aguiar. Crianças, jovens, homens, mulheres e idosos trocavam figurinhas da Copa. Dali, segui em direção à praia, que é o principal destino de turistas e locais. É a praia urbana mais famosa da cidade, tendo aproximadamente sete quilômetros de extensão. A maior parte da praia é protegida por uma barreira de recifes naturais, os quais deram nome à cidade.


 


 


A faixa de areia estava lotada, porém o que me chamou atenção foi o fato de pouquíssimas pessoas estarem se banhando no mar. Já havia ouvido falar bastante sobre o ataque de tubarões no local, mas não imaginava o tamanho dessa preocupação. As autoridades não recomendam o banho além dos recifes, para evitar ataques. Além disso, o surfe atualmente é proibido e existem mais de 80 placas pela orla alertando os banhistas.


 


Desde 1992 aconteceram 24 mortes, em 59 ataques contabilizados na praia de Boa Viagem. A última vítima fatal foi a estudante paulista Bruna Gobbi, mordida por um tubarão em julho de 2013. Os números recifenses colocam o Brasil como o quarto país do mundo em número de vítimas fatais por ataques de tubarão, atrás da Austrália, dos Estados Unidos e África do Sul.
De acordo com os especialistas, os ataques de tubarão no litoral recifense são resultado do impacto ambiental provocado pela construção do Porto de Suape, que exigiu o aterramento de dois estuários onde os tubarões-touro davam à luz.


 


Outros fatos contribuem para o aparecimento de tubarões na área da Praia de Boa Viagem: as correntes marinhas direcionam os animais para esse trecho de 20 quilômetros; e nesse ponto os animais encontram dois canais de águas profundas, e quando o tubarão se desvia da rota migratória comum e entra nesses canais, há grande risco de contato com pessoas. Como o ser humano não faz parte do cardápio alimentar dos tubarões, a maior parte dos ataques acontece por engano: quando a água está turva, o tubarão que está à caça por alimento não consegue perceber a diferença entre uma pessoa e um peixe grande.


 


O local reúne condições ideais à presença do tubarão mais agressivo do planeta, o tubarão-touro (bull shark). Ser vivo com o maior índice de testosterona da Terra, o tubarão-touro tem preferência por áreas de estuários com águas quentes, caso do Recife. Outra espécie muito agressiva presente na Praia de Boa Viagem é o tubarão-tigre.


 


Comerciantes comemoram e mexicanos invadem
O mercado aquecido movimenta comerciantes em toda a orla recifense. Na barraca do Biu do Gelo são 150 cadeiras disponíveis aos turistas. O comerciante esperava vender 280 cervejas apenas no domingo, ao custo de R$ 7 a lata de 473ml. "Sem contar as caipirinhas e os refrigerantes", afirmou. Além das barracas na areia, o comércio informal oferece ostras, hot dog, caldinhos, camarão, pastel e sanduíches, além das cangas e outros objetos diversos.


 
Um grupo de mexicanos estampava a bandeira do país com orgulho na praia. Parei para conversar com eles e me disseram que estavam adorando conhecer o Brasil. Vindos da Cidade do México, eles elogiaram a infraestrutura do Brasil, dizendo que a única dificuldade até o momento foi a disponibilidade da rede hoteleira da capital pernambucana. Quando perguntei sobre o número de torcedores, eles garantiram que 15 mil mexicanos estariam em Recife para acompanhar a partida contra a Croácia.


 


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Márcio Ceccarelli
editor@braziliannews.uk.com