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Cidade do México: além da sua imaginação

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O Zócalo

Por Julio Rocha


juliorocha@live.com


Eu tinha 12 anos quando decidi estudar espanhol, bem diferente dos meus colegas da escola que faziam cursinho de inglês. Um sonho por trás deste objetivo em aprender a língua de Cervantes? Conhecer o México. Não o país, mas sim a sua capital mega populosa, com o mesmo nome, onde habitam quase 22 milhões de pessoas, caótica e, ao mesmo tempo, com uma beleza ímpar aliada ao toque de história do povo latinoamericano, misticismo e encanto.


A vontade surgiu nas aulas de História do Colégio Sagres, onde eu estudava no Rio de Janeiro. O professor Isaac falava dos povos astecas e da antiga Tenotchitlán, destruída pelos conquistadores espanhóis. Foi aí que me despertou o desejo de visitar a capital asteca, hoje o Distrito Federal de um dos mais vibrantes países do mundo.


Muita gente me perguntava: “Mas por que a Cidade do México? Vá para as praias! Cancún ou Acapulco.” Que nada! Queria ver aquilo que os anúncios das agências de viagem não propagandeavam com frequência.


O sonho demorou a se realizar, apenas em 2007 cheguei à capital mexicana e, como imaginava, era exatamente tudo aquilo e mais. Do Aeroporto Internacional Benito Juárez, o passageiro pode pegar o metrô ou ir num táxi até o hotel. Lembre-se, sempre, de perguntar quanto fica a corrida até o destino.


Bem alojado em um dos hotéis do Paseo de la Reforma, o meu quarto tinha uma bela vista para o monumento do Ángel de la Independencia. Se trata de uma belíssima escultura dourada de um anjo sobre uma coluna, celebrando a independência mexicana, e localizado na rotatória de uma das avenidas mais movimentadas e bucólicas da cidade.


Dali, você pode ir caminhando até o Bosque de Chapultepec. No alto de uma colina, ao lado do bosque, estão o Castelo de Chapultepec e o Monumento a los Niños Heróes. Naquele local, em 1847, cadetes das forças armadas mexicanas morreram na Batalha de Chapultepec. México e Estados Unidos estavam em guerra pelos territórios do norte. Dentro do bosque está, também, o zoológico da Cidade do México. Ali pude ver, pela primeira vez, dois exemplares do urso panda.


Ao lado do bosque está o Auditório Nacional, famosa casa de espetáculos, e o requintado bairro de Polanco. O metro quadrado mais caro do DF é, também, o bairro judeu. Ali estão algumas sinagogas, casas belíssimas com seus jardins e boutiques do eixo NY-Paris-Tóquio.


Pegue o metrô na estação Auditório e vá até o Zócalo, no centro histórico. O Zócalo é a principal praça da cidade e a mais famosa do México. Lá estão a Catedral, o Palácio Nacional, com seus belíssimos painéis de Diego Rivera, e o Templo Mayor, um espaço que se tornou museu ao ar livre depois de encontrarem achados arqueológicos.


No Zócalo você verá, também, nativos apresentando suas danças típicas do período pré-colombiano e indígenas defumando os turistas numa espécie de ritual da purificação. Os povo antigos que ali habitavam acreditam que isso afasta os maus espíritos. Ah! E muitas barracas que vendem torresmo frito na hora. No México, recomenda-se não comer essas iguarias em local público e nem beber água que não seja mineral e engarrafada.


Ainda no centro histórico, caminhando em direção ao hotel, passei pelo belíssimo prédio do Palácio de Belas Artes, o principal teatro de ópera da Cidade do México. O edifício é famoso pela sua arquitetura exterior, em estilo Beaux Arts utilizando mármore branco de Carrara, e pelos seus murais interiores por Diego Rivera, Rufino Tamayo, David Alfaro Siqueiros e José Clemente Orozco.


No entorno do Belas Artes estão a Torre Latinoamericana, primeiro arranha-céu do México com seus 43 andares, o Museu Nacional de Arte (Munal), o Palácio dos Correios e o Monumento a Juárez. Paradas obrigatórias!


Quando a noite cair, visite a Praça Garibaldi e pague alguns pesos mexicanos (moeda local) para contratar um mariachi e ouvir a sua música rancheira favorita. Para jantar, se você procura sofisticação e tradição, recomendo o restaurante Villa María, em Polanco.


Confesso que a melhor comida que experimentei na Cidade do México não foi em nenhum restaurante chique. Minha amiga local, Herzel García Márquez, me levou para comer tacos numa taqueria (local especializado em tacos) chamada, acredite, Copacabana. Segundo ela, ali existiam dois cinemas que se chamavam "Brasil" e o outro "Copacabana". Hoje em dia, os cinemas não existem mais e dois restaurantes bem populares, onde comem os 'deefeños' (naturais da capital), servem boa comida mexicana e por um excelente preço.


Bom, ainda tenho muito para contar sobre esta cidade encantadora e mágica. Mas tenho que ficar por aqui com a primeira parte das minhas descobertas turísticas pelo México, D.F. Na semana que vem, continuo falando sobre o Museu Nacional de Antropologia, a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, as traineiras de Xochimilco, a casa onde moraram Frida Kahlo e Diego Rivera, as pirâmides de Teotihuacán e muito mais.