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Denúncias de abuso infantil cresceram quase 50% no Reino Unido

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O jornal The Guardian divulgou na semana passada os dados de uma organização de apoio à criança, dizendo que um aumento de quase 50% no número de denúncias de abuso infantil feitas à polícia britânica foi registrado até agora em 2014. A NSPCC ajudou mais de 8 mil pessoas que relataram casos de abuso ou negligência contra crianças que conheciam. Desses casos, 5.354 foram conduzidos a autoridades locais, o que representa um aumento de 47,5% em relação a 2013, quando houve 3.629 denúncias.


 


Acredita-se que casos como o do garoto Daniel Pelka, de 4 anos, que foi agredido e não alimentado por meses antes de morrer, em março de 2012, tenha desencadeado a onda de denúncias. A organização destaca que os números indicam a necessidade de uma nova legislação que trate do abuso emocional contra as crianças. O governo pensa em fazer modificações em uma lei já existente de forma que ela considere a negligência e os abusos emocional e físico crimes.


 


Contudo, de acordo com alguns críticos, a lei criminalizará a falta de amor dos pais e não será suficiente para proteger os mais vulneráveis. "Temos de reconhecer que o abuso emocional é um crime e aqueles que o cometem devem ser processados", disse John Cameron, diretor de operações de proteção à criança da NSPCC. "Não se trata de processar os pais que não compram equipamentos de última geração para os seus filhos, mas de processar pais que negam amor e carinho as suas crianças", acrescentou.


 


Alan Wood, presidente da Associação de Administração de Serviços para Crianças, disse que a proposta de lei não é a saída. Segundo ele, os pais que não conseguem fornecer apoio para os seus filhos não o fazem por uma série de razões, como incapacidade, inabilidade e maldade, mas não por falta de conhecimento das leis. "Não há evidência que garanta que uma mudança na lei avitará que mais casos de negligência ocorram", contou Wood. "Criar uma nova infração penal não alteraria a forma como as autoridades locais intervêm para proteger as crianças. Os agressores estão plenamente conscientes dos danos causados por negligência e abuso emocional", completou.