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Betse de Paula é a diretora de ‘Revelando Sebastião Salgado’, premiado em Londres

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Revelando Sebastião Salgado foi o filme vencedor do Crystal Lens Award do 6º Brazilian Film Festival, realizado em Londres entre os dias oito e 13 de maio. A escolha do prêmio foi feita através de voto popular. A diretora Betse de Paula esteve em Londres participando do festival e conversou com exclusividade com a reportagem do Brazilian News um dia após a cerimônia de premiação. Durante pouco mais de uma hora ela respondeu perguntas sobre o documentário e sua carreira.


 


A intimidade com Sebastião Salgado, cujo trabalho é reconhecido internacionalmente, porém não tanto no Brasil, foi um dos motivos que a levou a realizar o longa-metragem. “Eu já tinha admiração pelo seu trabalho e conhecia a maneira dele fotografar, com essa imersão que ele faz no projeto. Eu achava que no Brasil o pessoal não tinha ideia de como era o trabalho dele”, afirma.


 


Betse também falou sobre o orgulho e responsabilidade de fazer parte de uma família cheia de grandes destaques no cenário cultural brasileiro. Filha do cineasta Zelito Viana e sobrinha de Chico Anysio, ela confessa que trabalha bem em família, afinal já realizou trabalhos com o pai, com a filha Beatriz Morgana e com o irmão Marcos Palmeira. A diretoria rasgou elogios à alguns atores e atrizes, incluindo Marieta Severo, Silvia Albuquerque e Dira Paes. Betse analisou o momento do cinema brasileiro, e ainda revelou sua preferência pela comédia. “Se tem um jeito que o cinema pode mudar o mundo é pela comédia”, garantiu.


 


Confira os melhores trechos da entrevista:


Brazilian News - No documentário, Sebastião Salgado fala sobre o ‘banho de chá de abrir caminho’. Você considera ter tomado este banho também?


Betse de Paula - Eu acho que o filme tomou esse banho de chá de abrir caminho também, com certeza. Esse filme especialmente. Ele já passou em Cuba, na Colômbia, Venezuela, Uruguai, Argentina, Alemanha, Inglaterra. As vezes ele vai só pra ser exibido (nos festivais), sem participar da competição.


 


BN - Como foi realizada a produção do documentário?


BP - Eu fui à Paris, na casa do Tião. Foram três dias de entrevista. Fui com uma equipe grande. Dá até um medo falar do Sebastião Salgado. É uma responsabilidade. Levei até minha mãe, que é a produtora e amiga da Lélia (esposa do fotógrafo) pra amaciar o Tião. O filme é muito a intimidade dele.


 


BN - Por que a escolha de Sebastião Salgado?


BP - Eu conhecia o ‘Tião’, e conhecia o Juliano, filho dele, que é cineasta também. E não tinha nenhum filme sobre ele em português. E era uma coisa que a gente podia fazer. Estava havendo um concurso da Rio Filmes com o Canal Brasil exatamente quando o Juliano estava passando na minha casa, no Rio, e eu joguei a ideia. E era pra ser um programa de televisão, mas virou cinema.


 


BN - Chile, Uruguai, Argentina, México, Berlim, Londres. Onde mais o filme deve ser mostrado?


BP - Às vezes eu nem sei pra onde ele vai, sabia? Ele vai com o circuito Inffinito, e vai pra Chicago também. O que acontece é que a cada festival você ganha um novo. Quando você está em um, alguém vê, gosta e te convida para participar de outro.


 


BN - Tem alguém da sua família que você gostaria de ter trabalhado e não conseguiu?


BP - Gostaria de ter trabalhado com o Chico Anisyo, mas não deu. Do restante, já trabalhei com quase todo mundo.


 


BN - Como é fazer parte de uma família tão importante neste cenário cultural?


BP - Tem o lado bom e tem o lado difícil também. Se sobressair é complicado. É uma responsabilidade muito grande.


 


BN - Como você vê o cinema brasileiro nos últimos anos?


BP - Estamos vivendo uma fase boa. A sala de cinema é um mercado complicadíssimo de entrar. Os filmes brasileiros estão conseguindo furar um pouco a barreira dos filmes americanos, conseguindo fazer filmes com 10 milhões de espectadores. Estamos com muita gente nova, muitos filmes novos, diferentes e bons.


 


BN - E os curtas?


BP - Temos uns curtas muitos bons. Agora está muito mais fácil para se fazer. Eu acho que é um formato que está se reencontrando, se redefinindo. Hoje acho que está mais fácil. Você produz e coloca na internet. É possível encontrar pessoas que fazem curta com R$ 80 mil e outros que fazem com R$2 mil, que pode ser tão bom quanto.


 


BN - Mas como esse produto chega ao grande público?


BP - Infelizmente a gente não vai voltar àquela época maravilhosa em que o curta passava antes do longa, que foi o auge do curta-metragem brasileiro. O YouTube e outros canais da internet são onde estão sendo vistos hoje em dia. E tem gente que atualmente ganha dinheiro com o curta, antes não dava. O Porta dos Fundos é um grande exemplo.