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Internships e work experience: trabalhe em empresas renomadas enquanto estuda

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internship

Por Andréa Leonel
andrea.leonel@hotmail.co.uk


 


Nas últimas colunas, falamos sobre ensino à distância, financiamento de estudos pelo governo e bolsas de estudos, tudo isso tentando mostrar formas de desvencilhar-se das altas tuition fees cobradas pelas universidades no Reino Unido. Falhando todos esses métodos, ainda tem-se mais duas opções: os work experiences e internships.


 


Work experience são estágios de curta duração - normalmente de uma semana a um mês - onde o estudante pode ter um gostinho do que é trabalhar para uma empresa ou instituição da sua área. Essa oportunidade só é dada a quem está na faculdade e o escolhido pode até não desempenhar funções muito relevantes, mas ser um workie - como são chamados quem faz esses estágios - é uma  excelente oportunidade para se fazer contatos e decidir em qual área ou tipo de empresa você vai investir a sua carreira.


 


Para os cursos do tipo “sanduíche” - quando o aluno tira um ano do curso para trabalhar - os internships trazem uma bagagem importantíssima para a formação do estudante. Assim como nos work experiences, o aluno pode sentir na pele o que é o mercado de trabalho da sua área. A diferença é que os internships podem durar até um ano - ou menos que isso, para estudantes que querem trabalhar nas férias de verão - e costumam ser mais bem pagos.


 


E é aí que entra a polêmica. Muito tem-se falado sobre o fato de a Inglaterra não possuir uma Lei do Estágio, como no Brasil, que garanta uma remuneração básica para os estudantes que fazem work experience ou internships.


 


Algumas empresas chegam a pagar o salário mínimo - £6.31 por hora - para os seus estagiários, mas isso é raridade. A grande maioria dos empregadores se comprometem a pagar despesas de transporte e almoço e alguns, sob o pretexto de oferecerem posiçōes voluntárias, não pagam nem isso. Um exemplo recente foi a estilista britânica Vivienne Westwood que, em meados de 2013, foi alvo de críticas por recrutar estudantes de moda para trabalharem full-time em seu ateliê, em Londres, sem nenhum tipo de remuneração.


 


Na época, o primeiro-ministro David Cameron pediu aos estudantes que denunciassem as empresas que não pagassem os seus estagiários, mas até hoje não se ouviu falar de um caso em que uma empresa foi obrigada a remunerar seus estudantes. A grande verdade é que, em um mercado competitivo como o de Londres, a lei da oferta e procura é a que reina. Se você não se acha digno de trabalhar para Dame Vivienne de graça, há quem se achará. E assim, áreas concorridas como moda, música e jornalismo, continuarão empregando estudantes sem pagá-los o que merecem.


 


Portanto, a minha dica é: work experiences e internships são importantíssimos para a sua formação e é uma vantagem que só uma universidade britânica pode te dar. Mas não se subestime, procure empresas que paguem pelo menos as despesas básicas e tire da experiência não só o dinheiro, mas um bom networking e novas habilidades para o seu currículo.


 


*Andréa Leonel escreve no LondresParaEstudantes.wordpress.com e dá dicas para quem quer estudar em Londres