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Três anos depois do resgate, Portugal mira a Irlanda

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O pedido do programa de resgate da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) feito pelo Governo de Portugal completou três anos no domingo. No entanto, o país ainda não decidiu como retornar aos mercados. As duas últimas parcelas dos 78 bilhões de euros do empréstimo ainda não foram recebidas. O debate político se centra em se Portugal deve seguir o exemplo da Irlanda, outro país resgatado, que declarou autonomia financeira sem o apoio de uma linha de crédito de seus sócios europeus. Contudo, o Executivo do conservador Pedro Passos Coelho deixa no ar que opção seguirá enquanto procura garantias que a incerteza dos mercados não volte a encurralar Portugal como ocorreu há três anos.


 


O governo português espera apresentar este mês um novo pacote de medidas de austeridade para 2015 com o qual fechar a penúltima avaliação da "troika" (formada por FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) antes de finalizar o programa de ajuda externa no próximo dia 17 de maio. O triênio do resgate comportou uma dura bateria de ajustes e reformas econômicas em forma de privatizações de empresas públicas, aumentos de impostos e cortes sociais.


 


O aumento do desemprego até a taxa atual de 15% e a frágil projeção de crescimento para este 2014 (1,2%) após três anos em recessão somam incerteza à recuperação, apesar dos vários indicadores positivos como o aumento da demanda interna e das exportações.


 


O otimismo do governo se aferra à sustentada queda dos juros da dívida portuguesa que desde o início do ano colocaram as taxas no vencimento a dez anos em níveis prévios ao pedido do resgate, abaixo de 4%, um mínimo que não se alcançava desde maio de 2009. A moderada pressão dos mercados se aproxima também aos juros de 3,5% com o qual Irlanda voltou a financiar-se de maneira autônoma em dezembro do ano passado, sem o auxílio da UE.