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Cantoras e instrumentistas brasileiras residentes em Londres

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Especial_Lucia Viola

Shirley Nunes


www.culturart.co.uk


 


O mês de março, internacionalmente conhecido como mês da Mulher, já acabou. No entanto, vamos homenagear algumas brasileiras que moram no Reino Unido. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), 53,8% dos 500 mil brasileiros que vivem no exterior são mulheres. Nesse especial, vamos conhecer o perfil de algumas artistas que moram aqui na terra da rainha. São cantoras, pianistas, flautistas e percussionistas que acreditam que o artista ainda precisa de mais apoio, independentemente do local que esteja.


Conduzida entre três temas (arte, carreira e Londres) as entrevistas mostram os pensamentos dessas mulheres e contam um pouco mais sobre as carreiras construídas fora do Brasil.


 


Conversando com a cantora Rebeca Vallim 


Especial_Rebeca Vallim


Cantora desde 12 anos de idade, Rebeca garante que sobrevive de música em Londres, e afirma que o maior obstáculo é estar longe do apoio da família. Ela vê com bons olhos a maneira que a música brasileira atinge os estrangeiros. “Acredito que gostam, e o que mais os encanta é o ritmo. Agora quanto ao atingir os estrangeiros, há uma limitação do idioma. Sempre difícil trabalhar com arte. Talvez um pouco mais difícil por causa da crise que está instalada no Reino Unido”.


 


Carioca, ela nos conta que  em março completa nove anos na Inglaterra. “Vim pra tentar construir um futuro melhor. Sinto muita diferença, mas amo muito a Inglaterra. Gosto da diversidade cultural, da mistura de idiomas, do respeito com as diferenças. Definitivamente esse respeito pelas diferenças, coisa que não acontece no Brasil, onde as pessoas ainda são julgadas pelas roupas que vestem”.


 


Ela afirma ainda que a Inglaterra abriu as portas para mostrar a sua música. “Mesmo não sendo totalmente compreendida por eles, sou grata à Inglaterra por tudo que me deu, por todos os lugares onde eu nem imaginava e passei e acredito que ainda temos muitos caminhos à trilhar. Força pra todas essas mulheres guerreiras que não desistiram dos seus sonhos”. Leia mais sobre Rebeca Vallim: www.mafuadeyaya.wordpress.com


 


Batucando com Tuca Millan


Especial_Tuca Millan


Tuca acha que tem sido prazeroso trabalhar com arte, mas confessa “Não, não vivo exclusivamente de música no Reino Unido”. Millan toca desde os 15 anos e diz que não sente diferença entre Brasil e na capital inglesa em relação a música como trabalho. “Eu acho que o  ‘tratamento’ começa com sua postura”. E afirma que os estrangeiros de fato gostam e admiram a música brasileira. “É uma das músicas mais respeitadas no mundo”, garante.


 


O maior obstáculo ao chegar na terra, segundo ela, foi o clima. Há seis anos morando fora do Brasil, ela diz que gosta das diferenças culturais. “Não tive nenhum choque específico pois já sabia o que esperar”. “Não faço parte da Union Musician. Dependendo da real finalidade da associação acho que deveria existir sim”. A mensagem para todos é clara. “Acredite em você e em sua arte, você não pode estar errado”. Saiba mais: www.tucapositive.blogspot.com


  


Ao som da flautista Lucia Viola


Especial_Lucia Viola


A flautista Lucia Viola, que só estava de passagem em Londres, disse que a cidade mexeu com ela. “Eu ia para Itália mas gostei da vida cultural da cidade e resolvi continuar meus estudos aqui (BMus & Post Grad). Gosto de morar em Londres e desde o início me senti em casa; existem similaridades entre São Paulo e Londres”. No tempo livre, Lucia procurar visitar lugares diferentes para aprender mais sobre a história do país. No início, no entanto, não dominava a língua. “Isso foi difícil, mas também interessante. Me lembro de conhecer pessoas de vários países e acho que foi tudo muito enriquecedor”.


Ela garante que a música é sua profissão. “Música é como eu vivo. Performando, escrevendo, gravando, ensinando em escolas de música e colégios. Trabalhar perfomando arte ou outro tipo de de arte é desafio em qualuqer lugar do mundo. Toma muita dedicacao, muitos anos de treino e nada é garantido”, lamente. A paulista trabalhou com música em São Paulo, onde teve professores e colegas no campo popular e clássico (o flautista Antonio Dias Carrasqueira, e a pianista de jazz Ziara, entre outros). “Vejo que existe um interesse de música brasileira e jazz, mas precisa de um mais de espaços para esse tipo de música”. Veja mais sobre Lucia e compre o cd: www.luciaviola.com


 


Grande Pianista Clelia Iruzun


Especial_Celia Iruzun


A pianista Cléia Iruzun  mora em Londres há 30 anos. Ainda no Brasil, no entanto, participou de muitos concursos de piano, onde ganhou prêmios. Desta forma sugiram oportunidades de bolsa de estudo no exterior. “Vim para Londres no início dos anos 80 ainda adolescente e decidi então fazer o curso de música na Royal Academy of Music. Participei de concursos também na Europa e ganhei alguns prêmios. Comecei então a tocar na Inglaterra e daí a outros países”.


 


Sobre as diferenças da Inglaterra e Brasil, ela afirma que o maior obstáculo que o artista brasileiro tem ao chegar no exterior é inicialmente a comunicação e a compreensão de uma sociedade diferente. “É importante entender seus valores e tentar se integrar no meio. O europeu é muito orgulhoso de sua cultura e valoriza muito os seus, portanto para um estrangeiro conquistar um espaco é mais difícil. O importante é conseguir uma integração e buscar oportunidades de mostrar sua arte para conseguir ser aceito no meio artístico”.


 


Construir a vida artística fora do Brasil, segundo Cléia, é difícil. Na Europa, segundo ela, o mercado vem sendo reduzido por causa dos problemas econômicos, enquanto no Brasil ocorreu o oposto. “O mercado artístico aumentou, principalmente para o meio clássico”, garante.


 


Clélia fala com orgulho sobre música brasileira. “A grande alegria que tenho é quando consigo realizar meus projetos com musica brasileira como o festival que fundei recentemente o ‘Brazil Three Centuries of Music’. Já fizemos três eventos em Londres e todos tiveram excelente público e aceitação da plateia e da crítica”, comemora.


 


“O Brasil tem uma riquíssima produção musical que precisa ser reconhecida e colocar os nossos compositores ao lado dos seus contemporâneos europeus mais famosos”. Leia mais sobre a pianista, no site: www. cleliairuzun.com


 


Aline Stoffell, uma nova MPB


Especial_Aline Stoffel


A cantora gaúcha Aline Stoffell residiu em Londres por três anos e retorna agora ao Brasil. Com 24 anos, ela garante que veio atraída pela cultura da cidade. Ela afirma não viver de música. “Gravo a minha voz como ‘voice over’ e tenho outro trabalho full time”.


 


Aline não vê tantas dificuldades no meio artístico. Segundo a cantora, trabalhar com música, sempre foi muito prazeroso. Assim como qualquer outra profissão, no entanto, existem inúmeros obstáculos e desafios a serem enfrentados. “Perante a musica não vejo muitos obstáculos por aqui. Sempre fui respeitada nas minhas gigs e tenho um público que sempre vai me assistir. Acredito que, por mais incrível que seja, o mais difícil é lidar com outros músicos brasileiros no exterior.


 


Sobre a sua experiência em cantar para os estrangeiros, ela conta que sempre procurou levar um pouco do Brasil para o palco. “Assim como mesclar a cultura deles com a nossa. Amo fazer músicas inglesas com o swingue brasileiro. Isso sempre trás um ótimo retorno. Canto também em Português e os feedbacks são sempre positivos”.


 


Cantar em Londres, inclusive, fez diferença para ela no Brasil. “Tive oportunidade de voltar ao país como cantora e o fato de ‘vir do exterior’ ajudou muito a conseguir bons trabalhos e ser valorizada’. Saiba mais sobre seu trabalho: http://www.alinestoffel.com


 


Gabriela Di Laccio, cantora lírica


Especial_Gabriela di Lacio


Gaúcha, residente em Londres desde 2011, Gabriela Di Laccio afirma que veio à Londres porque recebeu uma bolsa de estudos de 2 anos no Royal College of Music. Após mais de três anos na capital britânica, ela garante que é impossível não sentir diferença entre o Reino Unido e o Brasil. “Somos culturas quase que opostas. Gosto muito da riqueza cultural que faz parte de morar em Londres. Saber que estou a algumas paradas de metrô para um número enorme de museus gratuitos, concertos, musicais, espetáculos de teatro é algo que para mim realmente não tem preço”.


 


Ela garante que vive da música, não apenas cantando, mas também dando aulas de canto “Acredito que se o artista se aproxima da plateia durante suas performances, sempre irá receber um tratamento mais caloroso”. Esse é um ponto importante para ela. “Sentir que estou criando uma ‘ponte’ entre o palco e o público. Como o meu repertório se concentra na música erudita é importante desmitificar a ideia que apenas uma plateia elitizada tem acesso a essa música”.


 


Gabriela imagina o povo inglês bastante aberto para receber coisas novas. O fato de Londres ser tão cosmopolita, segundo ela, colabora com esse fato. “Os comentários que mais me alegram são aqueles de pessoa que nunca ouviram música brasileira erudita e após um concerto vem me cumprimentar com um grande sorriso. Como eu mencionei antes eu faço questão de me aproximar do público nos meus concertos – e esse é um fato que claramente faz diferença para a plateia inglesa e para o público de qualquer país”. Veja mais o trabalho da cantora no site: www.gabrieladilaccio.com


 


*Procuradas para participarem do especial, as cantoras Adma Newport, Alba Cabral, Leandra Varanda estavam no Brasil e não puderam responder às perguntas. Jandira Silva e Mônica Vasconcelos também não puderam participar.