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Vinho brasileiro é com ele

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Ele é britânico, mas tem um pé no Brasil. Um não, dois. Nicholas Corfe trabalha com o mercado brasileiro, é casado com uma brasileira e tem dois filhos brasileiros. Ele é o representante da Go Brazil no Reino Unido. Mas isso é só um pouco da vida desse londrino, que fala português fluentemente. Em conversa com o Brazilian News, falou sobre o início da importação de vinhos brasileiros, as aspirações para a Copa do Mundo e até sobre o processo de separação da Escócia do Reino Unido, sem contar a paixão por idiomas, que fez o empresário aprender nada menos que seis diferentes línguas. Sim, seis!


 


Torcedor do Chelsea, Nicholas não se mostrou muito animado com o desempenho da seleção inglesa durante a Copa do Mundo, que será realizada no Brasil entre os dias 12 de junho e 13 de julho. Segundo ele a equipe não passará da fase de grupos. E traçou a companha: empate com a Itália na estreia, derrota para o Uruguai e vitória sobre a Costa Rica. "Sairemos do grupo pelo saldo de gols", pontuou.


 


O Brasil, segundo ele, também não deverá se dar bem na competição. "O Brasil vai sair na semifinal. Os perigos são três grandes adversários: Uruguai, Argentina e Alemanha. São times mais fortes que o Brasil. Gostaria muito que o Brasil ganhasse a Copa, mas acho, sim, que vai ser muito difícil com a pressão de jogar ‘em casa’”.


 


A competição também é vista com bons olhos pelo lado mercantil. A venda de vinhos brasileiros cresce cada vez mais com a proximidade do início dos jogos. "Todo o dia eu recebo algum pedido". A Inglaterra, aliás, não é o único destino dos vinhos. Bélgica, França e Holanda são mais alguns dos destinos europeus.


 


A expectativa é que os negócios continuem em alta, afinal a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro mantém o nome do país em destaque em todo o mundo.


 


Ligação com o o Brasil


Apesar de ser casado com uma carioca, Nicholas afirma que este não foi o motivo que o fez começar a trabalhar com a comunidade brasileira. Após trabalhar em grandes empresas na parte de negócios, recebeu um convite para ser trabalhador liberal. Um ex-colega de trabalho o convidou para abrir uma consultoria para ajudar empresas internacionais a entrar com seus produtos no mercado europeu, há sete anos. "Eu nunca planejei isso. Nunca tive essa ideia tão óbvia, mas foi uma fase em que o convite veio e eu não tive dúvidas. Naquele momento foi fácil decidir". Em uma de muitas viagens a trabalho, então, conheceu um brasileiro que era distribuidor de cachaça e decidiram abrir uma empresa importadora de vinhos para o Reino Unido. Não poderia ter sido melhor.


 


Referendo Escócia


Em setembro, um referendo colocará a prova a discussão sobre a separação da Escócia com o  Reino Unido. Para o empresário, a vitória deverá ser do “não”. A criação de um novo país, sem o apoio da libra, e sem fazer parte da União Europeia são alguns dos empecílhos vistos por ele. “Para eles entrarem na União Europeia é preciso que eles tenham a aprovação de todos os países que compõe o grupo. Seria bastante complicado”. Os países escandinavos foram citados como comparação. “A Escócia, entretanto, depende muito do Reino Unido. Eu acho que eles não deveriam sair”, opinou.


 


Apesar de declarar um grande carinho pela Escócia, ele afirmou que caso se separe, o país deva utilizar outra moeda que não seja a libra. "Ou está junto ou não está".


 


A saída ou não da Escócia do Reino Unido, no entanto, não é o único problema visto por ele. O país necessita melhorar em diversas áreas, principalmente em relação aos benefícios concedidos pelo governo e a imigração. "Eu acho maravilhoso o fato do nosso país ter tanta gente de fora. Ajuda muito na nossa economia, em tudo”, afirmou.


 


O corte de benefícios é visto por Nicholas como uma boa saída para o país. “O britânico é muito preguiçoso. Os últimos governos deixaram a situação piorar muito. Tem que ajudar quem realmente precisa. Não tem que ajudar quem não quer trabalhar. Quem não está trabalhando tem que ter incentivo para encontrar um emprego, e não o contrário”.


 


Gosto por línguas


Inglês, português, espanhol, francês, italiano e alemão. Se você acha muito, ele garante que não está tão bem assim. "Já falei bem o espanhol. Muito bem. Mas como agora eu não estou utilizando muito eu falo mais o ‘portunhol’", disfarsa. Não se assuste, no entanto, se você vê-lo conversando com um holandês ou um sueco na língua deles. "Falo um pouquinho de holandês e sueco também", sorri. A explicação pelo gosto por línguas é simples. Começou a fazer cursos noturnos para preencher o tempo livre. Simplicidade é o retrato deste “londrino brasileiro”.