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Cultura & Lazer

Astrologia e culinária lado a lado

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Márcio Ceccarelli


editor@braziliannews.uk.com


 


Trabalhar com o que gosta. Ter um negócio próprio. Apreciar uma bela paisagem. Esses certamente são desejos de grande parte dos cidadãos em todo o mundo. Para uma brasileira, em especial, essa é a realidade do dia-a-dia. Jussara Piacentini tem uma rotina de fazer inveja. Ela sai todo dia de Essex, ao leste de Londres e vem para a capital inglesa, mais precisamente para sua microempresa, às margens do Rio Tâmisa. Lá, ela produz pasta fresca e pão de queijo, vendidos em algumas feiras de bairro em Londres. E ainda arruma tempo para fazer consultas exotéricas. Sempre com um sorriso no rosto.


 


“É um trabalho que eu faço há aproximadamente 17 anos. Eu me formei em parapsicologia e psicoterapia. Sempre gostei dessas coisas. E sempre trabalhei com essas duas coisas: comida e exoterismo. Eu fazia comida congelada no Brasil. Trabalhei em restaurante no Rio. Em São Paulo eu tive loja de pão de queijo”, conta.


 


Em Londres, os produtos são vendidos desde setembro de 2012 em West Hampstead, aos sábados. “O povo é uma graça. Um monte de gente jovem, mente aberta. A barraca fica pegada a estação. É o nosso melhor mercado, desde que a gente começou. Alí começamos a vender a pasta e o molho pesto. Eu chego a vender 90 potes de pesto por final de semana”, afirma.


 


Além de West Hampstead, os produtos podem ser encontrados nos mercados de Blackheath e  Greenwich, às sextas-feiras e domingos. Entrar nos mercados, no entanto, não é tarefa fácil. “Até eles aceitarem levou uns quatro meses, porque eles já tinham dois outros fornecedores que vendem pasta. Não igual a nossa, fresca. E a nossa é melhor, eu acho”, diz, aos risos.


 


Exoterismo


“Quando fazemos o que nos é destinado fazer, não dá para mudar”. A frase explica bem como foi o início dos trabalhos exotéricos de Jussara no Reino Unido. A primeira consulta dela em inglês, há sete anos foi feita sem que ela estivesse 100% confiante. “Meu inglês era um horror. Mas eu pedi aos meus anjos que me protegessem e aí foi (risos). A moça que fazia acupuntura no meu braço foi a primeira que eu consultei. Ela adorou e começou a chamar mais clientes. Quando você faz com o coração, não importa a língua. Os anjos te ajudam”.


 


“Comecei atendendo por telefone, pessoalmente, eu ia na casa da pessoa ou a pessoa vinha na minha. Mas agora, com a história das massas, eu não tenho mais tanto tempo pra ir na casa das pessoas, mas elas acabam vindo aqui. Por isso eu criei um cantinho pra poder atendê-las”, completou.


 


Vinda para o Reino Unido


Jussara decidiu mudar para o Reino Unido há 10 anos. “É uma história interessante, porque eu estava divorciada, morando apenas com a filha caçula. Os dois (filhos) mais velhos já estavam morando com os partners aqui na Europa”. Ela veio então para ajudar Tatiana, a filha mais velha, com o neto Lucas. “Fiquei morando na Irlanda com ela, e minha caçula veio junto. Depois mudamos pra Leeds, onde moramos por seis anos. A família toda. A mais velha, inclusive, não conseguiu o registro dela de psicóloga na Irlanda, mas conseguiu aqui na Inglaterra. Fez pós-graduação e tudo”, conta.


 


Em Leeds, Jussara começou a trabalhar em uma loja fazendo consultas exotéricas. “O engraçado foi que Leeds começou a ficar pequena para toda a família. Minha filha mais velha veio primeiro (para Londres), buscando mais conhecimentos no campo da psicologia. E eu, como já tinha alguns clientes por Londres, passava uma semana e organizava tudo para atender todos naquela semana. Eu tinha uma casinha lá (em Leeds) e depois acabei mudando pra cá. Troquei a casa de Leeds por uma em Essex”.


 


A troca do Brasil pelo Reino Unido foi uma atitude acertada, garante ela, ainda mais pelo fato de ter vindo com a filha caçula, então com 15 anos de idade. “Ela trabalhou todos esses anos e agora ela vai começar a trabalhar por conta própria na área de arquitetura”. Atualmente, Natália auxilia a mãe com o comércio.


 


Horóscopo semanal


Além de todas as atividades, Jussara ainda colabora com o Brazilian News. Tudo começou quatro anos atrás, quando ela queria colocar um anúncio no jornal. O então diretor do Brazilian News e Jussara haviam morado no mesmo lugar no Rio de Janeiro. “Conhecemos as mesmas pessoas holísticas. Ele fez uma consulta comigo e perguntou se eu não queria fazer o horóscopo para o jornal. Aí tudo começou”.


 


Olhos no Brasil


Voltar ao Brasil é uma possibilidade na vida de Jussara. Sobretudo se depender da vontade de Mick, companheiro de vida e de trabalho. “Eu gostaria de abrir uma pousada lá. Um ‘bed and breakfest’ com alguns convidados. Só servindo café da manhã, depois a gente pega o barco, vai pra praia e passeia. Eu ainda chego lá. Eu não pretendo passar o resto dos meus dias aqui, não. O Mick quer ir. Ele não conhece Brasil ainda, mas já quer ir”.


 


Os planos, no entanto, ainda estão fora de cogitação. Segundo ela, pelo menos mais cinco anos são necessários antes de pensar em colocar a ideia em prática. “A gente ainda precisa fazer esse negócio dar dinheiro”, sorri.