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Pesquisadores conseguem provar pela primeira vez que malária pode se expandir devido ao aquecimento global

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Autor: Jéssica Lipinski  


Fonte: Instituto CarbonoBrasil


 


A malária ocorre principalmente em regiões tropicais de baixa altitude e que apresentam temperaturas médias elevadas, condições ideais para o desenvolvimento do protozoário causador da doença e do mosquito que o carrega. Assim, já há algum tempo cientistas buscam analisar se a malária pode aumentar seu campo de atuação em um planeta sob o aquecimento global. Porém, eles não conseguiam estabelecer uma ligação direta devido aos outros fatores que influem na disseminação da doença, como programas de controle do mosquito – que inibem a dispersão da enfermidade – e o volume de chuvas em determinada região – que facilita a reprodução do mosquito.


 


“Muitas pesquisas saíram, mas não conseguiam fazer a conexão”, observou Menno Bouma, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical de Londres, autor de um novo estudo que parece ter finalmente estabelecido que o aquecimento global poderá sim resultar na expansão da malária.


 


Bouma e sua equipe conseguiram isolar o fator clima da seguinte maneira: em vez de avaliarem as tendências em longo prazo da doença, em, por exemplo, um período de 20 anos, eles acompanharam os registros da malária ano a ano e compararam com os dados de clima e temperatura observados.


 


Na região de Antioquia, no oeste da Colômbia, os cientistas analisaram os registros anuais entre 1990 e 2005 e, em Debre Zeit, na Etiópia central, de 1993 a 2005. O que eles descobriram foi que mais casos de malária foram registrados em altitudes elevadas em anos com temperaturas mais quentes, enquanto que, em anos com temperaturas mais frias, os casos de malária ficaram restritos a regiões de baixa altitude.


 


“Observamos uma expansão dos casos de malária para altitudes mais altas em anos mais quentes, o que é um sinal claro de uma resposta da malária em altitudes elevadas a mudanças no clima. Isso é uma evidência indiscutível de um efeito climático”, comentou a autora Mercedes Pascual, ecologista da Universidade de Michigan.


 


Pascual afirmou que os pesquisadores já esperavam encontrar esse tipo de ligação como resultado, mas que ela “nunca achou que o sinal fosse ser tão claro”.


 


Os cientistas alertam que o mais preocupante é que ainda mais pessoas estarão expostas à doença, sendo que, ao contrário das populações de baixas altitudes, os habitantes de altitudes mais elevadas apresentam menos resistência à malária.


 


“A principal implicação é que, com temperaturas mais quentes, esperamos observar um número maior de pessoas expostas ao risco da malária em áreas tropicais altas como essas”, declarou Pascual. “E porque essas populações não têm imunidade protetora, elas ficarão particularmente vulneráveis à morbidade e mortalidade severas”, acrescentou Bouma.


 


Os autores apontam, entretanto, que o aumento do risco de malária nessas regiões pode ser administrado através do aumento dos esforços de monitoramento e controle da doença. “Nossas descobertas aqui ressaltam o tamanho do problema e enfatizam a necessidade de esforços de intervenções nessas regiões, especialmente na África”, concluiu Pascual.


 


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente a malária infecta cerca de 220 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, matando aproximadamente 660 mil. Calcula-se que a doença custe mais de US$ 12 bilhões só ao PIB africano, desacelerando o crescimento econômico do continente em mais de 1% ao ano.