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Ex-boxeador opositor anuncia candidatura à Presidência ucraniana

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O dirigente opositor e ex-boxeador ucraniano Vitali Klitschko anunciou sua candidatura às eleições presidenciais convocadas para 25 de maio. "Me apresentarei ao cargo de presidente da Ucrânia, já que estou firmemente convencido de que na Ucrânia é preciso mudar as regras de jogo. Deve haver justiça. Tenho certeza de que isto é possível", disse Klitschko.


 


A campanha para as eleições começou na terça-feira, com a dúvida se a ex-primeira-ministra, Yulia Tymoshenko, libertada da prisão no sábado passado, irá concorrer. A Rada Suprema (Parlamento) ucraniana convocou no fim de semana eleições presidenciais antecipadas após decretar a destituição do presidente Viktor Yanukovich, contra quem foi emitida uma ordem de busca e captura.


 


Klitschko, que largou os ringues quando era campeão do mundo dos pesos pesados, é considerado o opositor com mais peso eleitoral. Segundo os analistas, o líder do recém formado partido UDAR (Golpe), que alcançou quase 14% dos votos nas eleições parlamentares de outubro de 2012, conta com o apoio da Alemanha, onde lutou e residiu durante muitos anos.


 


Recentemente, Klitschko renunciou à permissão de residência na Alemanha para poder se candidatar, seu grande objetivo desde que perdeu as eleições para a prefeitura de Kiev. Em relação a Tymoshenko, segundo a imprensa local, a carismática política anunciou logo após sair da prisão sua intenção de concorrer nas eleições, o que foi negado por seu advogado.


Já o líder do principal partido do país, Batkivschina (Pátria), Arseni Yatseniuk, desponta como o grande favorito a assumir o cargo de primeiro-ministro no governo de união nacional.


 


Presidente interino fala em ameaça de separatismo


Em discurso diante do Parlamento, o presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, avisou que existe uma "séria ameaça" de separatismo no país. Seu comentário foi feito em meio à contínua resistência de regiões ucranianas onde vivem grupos étnicos russos em aceitar o novo governo em Kiev. Na península da Crimeia e em outras áreas pró-Rússia, protestos vem sendo realizados contra a deposição do ex-presidente Viktor Yanukovych.


 


A resistência nestas regiões do país se sustenta na forte oposição do governo russo às mudanças ocorridas na Ucrânia. O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, disse na última segunda-feira que os membros da nova administração federal conduziram uma "revolta armada" na Ucrânia.


 


Já o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, desaconselhou que outros países busquem "vantagens unilaterais" na Ucrânia e afirmou que a "política de não-intervenção" da Rússia seria mantida.


 


Turchynov afirmou que se encontrará com oficiais da polícia para discutir os protestos e o risco da divisão do país em dois. Ao mesmo tempo, adiou a formação de um governo de união nacional para a próxima quinta-feira para que seja possível fazer novas consultas sobre o assunto.