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Patriotas na linha de frente

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Da Redação

Alguns os chamaram de heróis e os aplaudiram às quintas-feiras em agradecimento à tanta dedicação. Ficaram conhecidos como key workers - profissionais da linha de frente na pandemia. Alguns atuavam em suas áreas. Outros mudaram completamente a rotina para se engajar nesse momento tão desafiador.

Entre os profissionais na linha de frente em Londres, há inúmeros patriotas e descendentes de países de língua portuguesa. A comunidade tem muito o que se orgulhar dessas pessoas.

Como Luís Pitarma, o enfermeiro português que integrou a equipe que cuidou do primeiro-ministro Boris Johnson. Boris ficou tão agradecido que o citou nominalmente e o convidou, junto com a enfermeira neozelandesa Jenny McGee e os médicos Nick Price e Nick Hart, para uma recepção na residência oficial de Downing Street.

Também nascida em Portugal, Rosa Miranda merece nossos aplausos. Ela continuou trabalhando como motorista de ônibus em Londres durante a pandemia, fazendo jornada dupla alguns dias.

Joana Gemo é de Moçambique, mas vive em Portugal. Lá, ela trabalha como cuidadora de idosos e viveu momentos de tensão e sobrecarga de responsabilidade durante a pandemia.

São muitos os exemplos de gente que fez a diferença, e continua a atuar de forma determinante neste momento de crise. Para representar a todos, alguns deles foram convidados a participar da série “Depoimentos na linha de frente”, com vídeos lançados durante a pandemia pelo jornal Notícias em Português (disponíveis no nosso canal de YouTube Notícias em Português).

Em mensagens breves, eles trouxeram uma visão de quem estava enfrentando o gigantismo do vírus de frente. Aqui, reproduzimos alguns deles. Para nos fazer sentir orgulhosos, mas também para não nos deixar esquecer.


Junior


Junior Menezes, criador do projeto Cook4life

Há 17 anos em Londres, o chef de cozinha brasileiro Júnior Menezes está à frente do projeto Cook4life. Criada no começo da pandemia, a iniciativa de recolher doações e distribuir com os mais vulneráveis da comunidade lusófona de Londres beneficiou mais de 3.000 pessoas. Um time de quase 150 voluntários atuou bravamente na reunindo doações de alimentos, recolhendo informações de quem precisava e distribuindo com a comunidade. Eles conseguiram cumprir todas as demandas por comida que receberam. Em depoimento, Júnior falou dos planos de seguir ajudando a quem precisa.


Tania


Tania Fernandes, enfermeira no Queen`s Hospital.

A moçambicana Tania Marisa Fernandes é enfermeira de cuidados intensivos no Queen’s Hospital, em Londres. De tudo que viu em nove anos de profissão, nada se compara às cenas de sofrimento causado pela Covid-19. “Nunca vi tanta morte em um curto espaço de tempo”, conta. “Foi um inferno, não tenho palavras para descrever”, diz referindo-se ao auge da crise do coronavírus no Reino Unido.

Tania arriscou (e continua arriscando) a própria saúde para cuidar do próximo.

Em depoimento, ela dividiu a experiência de estar na linha de frente na luta contra a pandemia. E contou como música e apoio psicológico (além de muitas lágrimas) a ajudaram a manter-se sã.


Virna


Virna Teixeira, médica brasileira no NHS

Brasileira londrina, Virna Teixeira é médica neurologista e atua na área de psiquiatria no NHS. Foi infectada pela coronavírus no ambiente de trabalho e vivenciou passar para o outro lado, de médica a paciente.

Enquanto esteve em auto isolamento tratando os sintomas da doença, ela colocou no ar o blog Escritos da Pandemia, onde publicou textos sobre sua experiência. Virna é também poeta, contista, tradutora e dona da editora Carnaval Press, em Londres. Tem uma escrita direta e intensa, o que torna ainda mais interessante uma visita ao https://escritosdepandemia.com/.

Em depoimento, Virna contou como a pandemia mudou completamente a forma em que ela se relaciona com os pacientes, que agora precisam usar máscaras nos consultórios.


LucianaBerry


Luciana Berry, chef de cozinha

Luciana Berry é a chef brasileira mais famosa no Reino Unido. Ela foi semifinalista do Master Chef UK fazendo pratos como bacalhau com chuchu e empada. Há mais de uma década, veio estudar inglês em Londres e aqui ficou, onde mantém uma empresa de catering e assina jantares luxuosos em torno de um cardápio essencialmente brasileiro.

Quando começou o confinamento, Luciana teve sua agenda (sempre lotada) totalmente cancelada. Foi aí que essa baiana inquieta resolveu arregaçar as mangas da dólmã e fazer marmitas para o pessoal do NHS.

Em seu depoimento, ela contou como foi cozinhar entre 500 e 700 marmitas por semana para os funcionários de hospitais. “Faço uma comida bem balanceada com carboidrato e proteína, com bastante cheiro verde, pimenta e limãozinho, tudo muito fresco e saudável”, conta Luciana. “É uma sensação tão boa ajudar”, diz a chef que atualmente participa da competição Top Chef Brasil (leia mais na página 5). 


Imagens: Reprodução/YouTube