- °C
Home

Professora, poeta e apresentadora de “lives”

|

Divulgação

JaniceMansur



Da Redação

O plano de Janice Mansur, quando se mudou para Londres há um ano, era se afastar da sala de aula e da língua portuguesa, lugar e objeto de trabalho de toda sua vida, e aprender inglês. Mas eis que não tardou muito até surgir a oportunidade de dar aulas no Clube dos Brasileirinhos, escola de referência em português como língua de herança em Queen’s Park.

Poeta desde a adolescência, Janice administra a vida de professora com a escrita, e com inúmeras atividades. De massagista de Shantala a cleaner e personal organizer, a professora licenciada da rede de ensino público de Niterói, Rio de Janeiro, enveredou também para o mundo das “lives” durante a pandemia. Foram nove entrevistas em julho, e outros nove encontros marcados para o mês de agosto. “Convido profissionais que possam contribuir com informações para o desenvolvimento emocional, sempre preparo artigos que preparam o público para o que virá”, conta.

Nesta entrevista, ela explica que essas lives compõem um projeto mais amplo de transmissão de conhecimento chamado Better and happier.

Notícias em Português - A que é dedicado exatamente o canal BETTER & Happier?

Janice Mansur - A ideia central é trazer para quaisquer pessoas que queiram ser melhores, para meus alunos, para meus pares, mais conhecimento, educação, reflexões sobre saúde física e mental, empreendedorismo e afins. Apesar de acessar pouquíssimo meu Facebook e apenas tê-lo aberto a pedido dos alunos, decidi criar o canal de YouTube BETTER & Happier e um perfil com meu nome no Instagram (@janice_mansur) para desenvolver ideias relacionadas a tudo o que citei e focar na publicação de meus livros.

Como viver em Londres influencia sua produção artística?

Aqui tive mais tempo livre para escrever e organizar projetos. Estou provisoriamente licenciada da rede municipal e estadual de ensino de Niterói-RJ, e tendo vindo para aprofundar meus estudos em língua inglesa e ficar perto de meu marido, que já residia aqui como cidadão português a trabalho. Aqui decidi ser cleaner. Apesar de ser de outra área, queria me aventurar, para depois atuar como personal organizer, já que tinha acabado de fazer o curso com a Micaéla Goés (GNT/ programa Santa Ajuda), Ivana Portella e Estela, na Casa com Vida, no Rio. A organização me fez lembrar dos cuidados dispensados à minha avó querida (que já está em outro plano) e me estimulou a querer ajudar pessoas e suas famílias, principalmente crianças e idosos. Todavia, essa intenção foi frustrada em virtude do “chamamento” para minha área novamente.

Quando foi o lançamento do seu primeiro livro?

O lançamento de “O mesmo amor” foi em 2012, em um site (https://www.agbook.com.br), e foi prefaciado pelo amigo Wanderlino Teixeira Leite Neto, membro da Academia Niteroiense de Letras. É um livro de poemas onde estão reunidos textos de algumas fases que falam de amor. Tenho dois livros no prelo, um de poemas e outro de contos. O primeiro virá com prefácio da profª Dra. Simone Caputo Gomes, da Universidade de São Paulo, que é membro da Academia Cabo-verdiana de Letras e pela também profª Dra. Simone Mattos Guimarães Orlando, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Ambas são grandes incentivadoras de meu trabalho.

Tenho mais dois livros projetados: um de literatura infanto-juvenil cujo tema é alimentação orgânica e agrotóxicos, e outro sobre o gato que entrou em nossas vidas, uma família de “cachorros”.

Você tem inúmeras formações profissionais. Continua a atuar em todas?

Sou escritora desde os 13 anos, mas só tive “coragem” de publicar o primeiro livro em 2012, em virtude de grande senso crítico. Virei professora e revisora de textos há 22 anos quando me graduei em letras e me especializei em produção textual pela Universidade Federal Fluminense. Embora tenha um currículo eclético e extenso, com cursos de aromaterapia, massagem (Shantala, YMA), entre outros, só atuo na área de integrativas para auxiliar amigos e família. Fui convidada a lecionar no Clube dos Brasileirinhos, escola de referência em português como língua de herança (POLH), em Queen’s Park, Londres.

Qual a sua relação com o Brasil?

Nasci no Brasil, lá tenho família e filhos. Tenho uma neta autista por quem sou louca, e na verdade estou morrendo de saudades. Com a pandemia, minha viagem foi cancelada temporariamente.

Como a poesia ajudou a atravessar a pandemia?

Retomei a escrever poemas quando tive de ficar em casa por mais tempo e agora não paro mais. Escrever e ler são duas atividades enriquecedoras para a mente e a alma que adoro praticar e compartilhar. Comecei ainda a dar andamento a todos os projetos arquivados. Assim, espero que este ano seja bem produtivo, apesar de.

Que lições pessoais tira da pandemia?


A pandemia veio de surpresa e mexeu com tudo o que pensávamos que não poderia acontecer, principalmente trouxe a falta de controle sobre a vida e o mundo. Ela está dando uma sacudida no orgulho, na ambição desenfreada e na frivolidade que permeia o universo de alguns. Eu mesma tive afloradas todas minhas idiossincrasias que tento dar vazão com a arte e terapias de origens diversas. A lição então é de humildade e gratidão. Sermos mais humildes e verdadeiros e sermos gratos sempre a tudo o que acontece são duas coisas que podem nos ajudar a ser melhor. É necessário começar por algum lugar.