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ARTIGO: Carta de Gabriel Colombo

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Foto: Sandie Clarke/Unsplash


Sandie clarke qy2sOz RAyo unsplash



Queridos leitores,


Estamos vivendo tempos sem precedentes. Que sério. Que alarme. Que tédio. Parece que pegaram a você e a mim de calças curtas. Eu estava me sentindo bem,  ouvindo @TheMaeMartin que me fazia relaxar e estava sendo como um Savlon de diversão para minha alma e eu estava amando este estado zen enquanto os Jetsons, nem a Mulher Maravilha e o Super-Homem não vêm. Eu também estava curtindo o episódio final de “Fresh Air”, com Stephen Sondheim por ser fascinante, principalmente se você já entrou em poemas e rimas enquanto ele entra nas especificidades da rima.


Por falar em ar fresco estamos todos afastados de nossos cúmplices – no amor e no crime - espero que temporariamente. E, no fim de abril, dizem,  tudo irá passar, como vaidade que o vento leva e olha eu lendo o Eclesiastes em nome de tantos que de forma estúpida já se foram. Se o amor a tudo já dilacerou, porque esse vírus identificado não o faria também?


O negócio é saber como segurar a peteca no ar numa era de medidas extremas. Quem sabe inventar uma nova receita de bolo ou decorar uma música para estreá-la, em maio, no karaokê ali pertinho da TopShop? A minha intenção não é bombardear ninguém, pois para isto já estamos cansados de boatos e notícias falas propagadas em pseudo veículos de comunicação. Nesse tempo de rezarmos o mantra “tudo vai ficar bem”, eu detectei o tipo de personalidade coronavírus – a pessoa que deixa bem claro, através de 350 caracteres de WhatsApp - que vai achar difícil, mais do que qualquer outra coisa, ter que abandonar a relação e que o melhor é se afastar. E depois contorna, antes de não assinar, escrevendo “mas nós estamos remando no mesmo barco”. E nesse meio tempo quero deixar claro que estou há 30 dias longe de eu me filmar num discurso filosófico no banho e publicá-lo em mídias sociais como a Madonna fez, pelo amor de Deus, francamente...


Mas o pensamento positivo e o comportamento correto vencem em tempos difíceis, uma das coisas mais certas que já li. E eu estava ouvindo Hey Judy, dos Beatles, e fiquei comovido quando ouvi a sentença “then you begin to make it better”.


E é isso mesmo. Estamos recuando para avançarmos mais seguros, bem informados e vivificados. Pelo tudo que nos foi limitado e até agora consumido. Nós do jornal Notícias em Português continuamos por aqui, neste mundo virtual.


Para você envio meus beijos e abraços, mesmo que à distância.


* Gabriel Colombo é jornalista, duplo-cidadão italiano/brasileiro e reside em Londres há 13 anos. gabriel@gabrielcolombo.co.uk