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Por Fernanda Cunha*

A violência doméstica é um assunto muito falado hoje em dia, aparecendo muitas vezes nos jornais. Podemos pensar que hoje em dia existe muito mais violência doméstica do que há uns anos, mas isso sempre existiu. Os tempos eram outros, tudo era mais encoberto. As mulheres eram ensinadas que deviam aguentar tudo e não se separarem pelo bem dos filhos e da família. Quem já não ouviu o ditado “entre marido e mulher não se mete a colher”?

Hoje em dia, há mais conhecimento e abertura maior para falar sobre o assunto, e é quase que consensual a condenação de comportamentos violentos.

Podemos descrever violência doméstica como um “comportamento violento continuado ou qualquer padrão de controlo coercivo exercido direta ou indiretamente, sobre qualquer pessoa que habite no mesmo agregado familiar (exemplo cônjuge, companheiro/a, filho/a, pai, mãe, avô, avó ou que mesmo não coabitando seja companheiro ou familiar).

“Este padrão de comportamento violento continuado resulta, a curto ou médio prazo, em danos físicos, sexuais, emocionais, psicológicos, imposição de isolamento social ou privação económica da vítima, visa dominá-la, fazê-la sentir-se subordinada num clima de medo permanente” (Manita et al, 2009, p.11).

Alguns mitos sobre a violência doméstica:

“Bater é sinal de amor” - Não é sinal de amor. É um sinal de abuso e controlo.

“A violência doméstica só ocorre sob efeito de álcool ou outras drogas” – É incorreto pensar que é a causa. Pode sim estar associado e desencadear a situação.

“Só as mulheres de meios sociais desfavorecidos sofrem de violência doméstica” – Pode acontecer a qualquer pessoa, independente do meio socioeconómico.

As formas de violência doméstica podem ser de várias, tais como a violência física, que consiste no uso da força física com o intuito de magoar e ou ferir o outro. Estaladas, pontapés, empurrões, murros, puxar de cabelos são agressões físicas.

Outra forma seria a violência psicológica e/ou emocional como, por exemplo, intimidação, ameaças, desvalorização, fazer críticas negativas quanto à sua maneira de se comportar e vestir, à sua personalidade e ações.

Violência social é o comportamento que tem como intenção controlar a vida social do outro, impedindo que esteja com amigos ou familiares. Violência sexual é qualquer comportamento que impõe a práticas de atos sexuais contra vontade do outro. Violência financeira é quando o agressor nega acesso ao dinheiro, controlando e querendo justificação sobre os gastos (CIG, 2016).

As vítimas normalmente enfrentam um ciclo padrão de violência doméstica, que vai de um aumento de tensão, ataque violento a lua-de-mel, repetindo-se continuadamente. Repete-se ao longo do tempo, por meses ou anos e a sua intensidade pode gradualmente aumentar com o tempo (APAV, 2012).


* Fernanda Cunha nasceu no Brasil, tem nacionalidade portuguesa, e vive em Londres desde 2016. É psicóloga com mestrado em psicologia da justiça e membro da British Psychological Society.


Sou vìtima?

Algumas perguntas que podem ajudar a identificar uma situação de violência doméstica:

- Tem medo do temperamento do seu companheiro/a ou familiar?

- Ele/ela goza, ridiculariza ou faz você se sentir mal na frente de outras pessoas?

- Alguma vez ele/a ameaçou agredi-lo/a?

- Alguma vez lhe bateu, deu pontapés, empurrou ou lhe atirou com algum objeto?

- É forçado/a a justificar tudo que faz?


- Não pode estar com amigos ou familiares porque ele/a sente ciúmes?