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O século 20 não acabou

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17 seculo20naoacabou fernandoreboucas 03 2020cor

Por Fernando Rebouças*

Segundo Michel Foucault, o homem é uma invenção recente. Essa afirmação abre caminhos para diferentes tipos de interpretações e elucidações filosóficas e até mesmo não filosóficas a respeito da presença da espécie humana no mundo e nos ambientes sociais e psicológicos que, supostamente, conhecemos.

Observando o homem pós-moderno e seu profundo envolvimento com a tecnologia da informação, percebemos nas portas da terceira década do século XXI a reafirmação de padrões e de crenças do século XX, o século passado.

Não podemos pregar a total negação das expressões culturais, artísticas, políticas e sociais que os séculos anteriores projetaram para nossa espécie racional, mas mesmo valorizando o que de melhor os séculos anteriores produziram, aceitar as mudanças também é necessário.

Cada indivíduo é um universo de escolhas, e cada um deve respeitar a escolha do outro dentro do respeito, do dever e da legalidade favorável para a convivência de todos. Por outro lado, podemos achar demasiado querer ressuscitar questões geográficas, ideologias políticas e comportamentos antiéticos já superados e sepultados no século XX.

Acreditamos que em pleno século XXI, com todo o acesso ao conhecimento e à informação rápida que temos graças às tecnologias de hoje, devemos repensar, recriar e reposicionar essa invenção recente: a espécie humana.

Na prática, parece que os estilhaços de guerras, de preconceitos e de explorações que aconteceram nos séculos XIX e XX ainda se espalham pelas portas e corredores de entrada do século XXI gerando conflitos de convivência, de aceitação e prejudicando o processo de evolução social que ainda precisamos alcançar.

Talvez, um mundo melhor seja feito a partir do ato de nos conscientizarmos de tudo de bom e de ruim que aconteceu no passado da história da espécie humana na Terra, para não cometermos os mesmos erros de nossos antepassados.

Por outro lado, como bons ouvintes de música, podemos escolher ouvir as novidades das novas gerações de músicos que estão surgindo por aí, mas, por enquanto, não podemos dispensar os Beatles, o Rock 80, a Bossa Nova e nem os Mutantes. Quando o assunto é música, ainda dependemos muito do século XX.



* Fernando Rebouças é desenhista, publicitário e editor. Autor dos quadrinhos do Oi! O Tucano Ecologista (www.oiarte.com) e Scriptah (www.scriptah.oiarte.com).