4 °C
Home

Joana, a cleaner em: “banho de gato”

|

Unsplash

Jeshoots com   ZMnefoI3k unsplash


Por Isabel Brambilla*

- Oh Kleidy, tu acreditas que eu já cheguei na casa da patroa? Estou super adiantada! Vou aproveitar que está todo mundo viajando pra faxinar os banheiros. Acho a coisa mais nojenta isso de limpar vaso sanitário sem jogar água, só com sprayzinho, você não acha? Mas hoje eu lavo esses banheiros igual fazia lá no Brasil: estou passando bleach neles, vou limpar a casa primeiro e depois jogo água nas paredes, no vaso, no chão, na banheira. Vai ficar tudo branquinho...  Ixi Kleidy, acho que chegou alguém. Depois te ligo amiga.

- Bom dia Joanna. Tudo bem com você? Cumprimentou o patrão ainda ofegante da corrida matinal.

- Bom dia seu Clark. O que o senhor está fazendo em casa hoje? - Perguntou a diarista surpresa.

- Eu não pude viajar porque tinha uma reunião importante hoje. Mas vou esta noite ainda. Respondeu ele, rindo da pergunta nada educada da empregada. – Mas não se preocupe comigo Joanna, vou tomar um banho e sair o mais rápido possível.

- Banho!?

- Sim, estou todo suado.

- Desculpa seu Clark, mas não tem como tomar banho agora não.

- Como assim Joanna?

- Então, eu achei que não tinha ninguém em casa. Porque a patroa falou que não ia ter. Aí eu coloquei produto nos banheiros todos. Está tudo cheirando bleach.

- Tudo bem Joanna, só jogar água que sai.

Ele foi na direção do banheiro e a cleaner foi atrás.

- Não sei não, seu Clark. O cheiro está bem forte.

- Meu Deus, Joanna! Você vai se intoxicar desse jeito. Ele fechou a porta tossindo.

- Vou não seu Clark. Eu uso bleach todo dia. Estou acostumada.

Sem saber o que dizer e não podendo perder mais tempo, ele se deu por vencido.

- Ok Joanna. Eu tomo banho depois ou vou me atrasar.

- Mas o senhor vai assim?

- Tem outro jeito Joanna? - perguntou, aborrecido.

- O senhor pode tomar um banho de gato, disse entregando um pacote de lenço umedecido para o patrão. Depois passa um perfume daqueles caros e ninguém vai notar.

Sem dizer nada, o patrão foi para o quarto imaginando onde sua mulher havia encontrado aquela figura para trabalhar na casa deles.

- Essa eu preciso contar pra Kleidy, falou Joanna em voz alta, enquanto voltava a cuidar da limpeza, feliz consigo mesma por ter resolvido o problema do patrão.



* Isabel Brambilla é brasileira e vive em Londres desde 2016. É assistente administrativa e escritora. Em 2018, ganhou o Concurso de Contos da Livraria Curitiba e está finalizando seu primeiro livro, a biografia de Lady Olave Baden-Powell, a primeira-dama do movimento Escoteiro. No Instagram: @isabelbrambillaescritos