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Cientista português premiado por investigação do cancro

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Da Redação

A equipe de cientistas do Laboratório de Imunobiologia do Francis Crick Institute, em Londres, liderada pelo português Caetano Reis e Sousa, recebeu o BIAL Award in Biomedicine. O prêmio de 300 mil euros distingue o trabalho de investigação do cancro.

O prémio foi entregue pelo presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa, em cerimónia no Grande Auditório João Lobo Antunes, no Edifício Egas Moniz, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Esta é a primeira edição da premiação instituída pela Fundação BIAL. O objetivo é valorizar e tornar pública pesquisas na área biomédica.

Segundo reportagem da TV Europa, o estudo ‘Cyclooxygenase-Dependent Tumor Growth through Evasion of Immunity’, vencedor do BIAL Award in Biomedicine, foi publicado na revista Cell. A investigação, que envolveu doze cientistas de várias nacionalidades, insere-se na área da imunologia tumoral, que serve de base para a imunoterapia do cancro, vista atualmente como potencial tratamento de primeira linha para vários tumores e decisiva no tratamento do cancro.

“A imunoterapia do câncer assenta numa estratégia que potencializa o sistema imunitário individual de cada paciente para combater as células cancerígenas. Esta estratégia transformou, na última década, o tratamento de vários cancros metastáticos resistentes às terapêuticas convencionais, nomeadamente à quimioterapia”, explica o relatório.

A cientista Maria do Carmo Fonseca, vice-presidente do júri do BIAL Award in Biomedicine, salientou que “este trabalho pioneiro inspirou novos ensaios clínicos, atualmente em curso à escala mundial, em que a combinação de fármacos anti-inflamatórios como a aspirina com a imunoterapia está a ser testada em vários tipos de cancros, tais como os da mama e do cólon”.

Caetano Reis e Sousa confessou, citado pela Bial, que “foi com grande alegria que recebi um telefonema do júri a anunciar que um estudo do meu laboratório tinha sido o vencedor do BIAL Award in Biomedicine 2019. Trata-se de uma investigação pré-clínica sobre um dos mecanismos utilizados pelos cancros para evitar a detecção do sistema imunitário. O estudo foi realizado por uma equipa de talentosos investigadores do nosso laboratório e colaboradores externos e estamos todos muito entusiasmados e honrados por receber este prestigiante prémio. Para mim, como cidadão português, receber o BIAL Award in Biomedicine tem um significado especial. Em nome de todos os que participaram no estudo, agradeço ao júri por escolher o nosso trabalho e à Fundação BIAL que patrocina o prémio.”

Carreira internacional

Caetano Reis e Sousa tem 52 anos, nasceu em Lisboa, mas vive no Reino Unido desde a adolescência. Licenciou-se em biologia no Imperial College de Londres e fez o doutoramento em imunologia na Universidade de Oxford.

Ele é líder de grupo sénior no Instituto Francis Crick e professor de Imunologia no Imperial College London.Foi educado no Atlantic College no País de Gales, no Imperial College de Londres e na Universidade de Oxford, onde recebeu o grau de Doutor em Filosofia em 1992, por pesquisa em células dendríticas.

Após trabalhar como pesquisador pós-doutorando no National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) nos Estados Unidos, com Ronald Germain, Caetano Reis e Sousa ingressou no Imperial Cancer Research Fund (ICRF) em 1988. Chefiou o Laboratório de Imunobiologia que se tornou parte do Instituto Francis Crick em 2015. É também professor de Imunologia no Imperial College London e professor honorário no University College London (UCL) e no King's College London.


Equipe liderada por Caetano Reis e Sousa

Santiago Zelenay, da Argentina

Annemarthe G. van der Veen, da Holanda

Jan P. Böttcher, da Alemanha

Kathryn J. Snelgrove, do Reino Unido

Neil Rogers, do Reino Unido

Sophie E. Acton, do Reino Unido

Probir Chakravarty, do Reino Unido

Maria Romina Girotti, da Argentina

Sergio A. Quezada, da Itália

Richard Marais, do Reino Unido

Erik Sahai, do Reino Unido