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Líderes da comunidade de língua portuguesa no Reino Unido

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Markus spiske QozzJpFZ2lg unsplash



Por Manuel Gomes*


Estimam-se entre 400 e 700 mil os portugueses, talvez 120 mil brasileiros e uma elevada mistura de Palops. Moçambique tem cerca de 500 “militantes” em Londres. Os restantes são de difícil cálculo. São brasileiros portugueses ou italianos e 80 mil vezes indianos portugueses.


É natural que uma comunidade com esta extensão desenvolva actividades lideradas por membros da própria comunidade. No entanto, continuamos a insistir que a comunidade está dividida. Assim não o creio. Acredito que pode estar mais unida.


Existem tímidos pontos de união nos eventos em que se podem encontrar os falantes de português num mix de sotaques que Londres proporciona. Geralmente eventos musicais, gastronómicos, empresariais e mesmo diplomáticos.


É unânime nas conversas de café que os falantes de português deveriam ser mais unidos a exemplo de outras comunidades que, sendo menores e mais recentes, se mostram aparentemente mais integradas.


Tendencialmente, depois dos discursos pecam as acções ou, no melhor dos casos, as inacções. A inércia apodera-se das vontades e como comunidade tardamos em nos levar a sério. Dos diversos movimentos humanos que me é dado conhecer no Reino Unido, alguns deles aglomerados de pessoas que dizem representar pessoas e noutros casos pessoas que representam de facto outras pessoas, pregam a sua “doutrina” geralmente convidando outros a que se juntem. A que se juntem àquele projecto propriamente.


São líderes que incentivam os seus compatriotas a unirem esforços em favor de uma qualquer causa e que procuram adeptos, membros ou associados apostando depois no lado contrário.


Se em favor das suas causas procuram unir esforços, entre elas tal não acontece.


Assisti nos últimos anos a poucas e frustradas tentativas de sentar numa mesma mesa líderes dos movimentos humanos dos luso-falantes no Reino Unido. Sejam tentativas da diplomacia ou mesmo de instituições de referência ou simples sonhadores que são capazes de mudar um metro que seja a pressão a que tal ideia é sujeita.


Vê-se assim uma comunidade que se procura a ela mesma agrupada em “coutadas” de interesses e prestígios fotográficos. As lideranças, independentemente do sotaque da língua que tenham, pouco ou nada fazem para unir esforços com congéneres ou similares. Seja dentro de uma comunidade geograficamente específica ou na mistura de todos os luso-falantes.


As lideranças parecem todas sofrer de um arrepio quando se fala em federação.


Tardam em perceber que, com esta atitude, prejudicam a comunidade que dizem defender.



* Manuel Gomes é jornalista e escritor português a residir em Londres.