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Polícia implementará reconhecimento facial nas câmeras de rua

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Por Ulysses Maldonado


Quando você sai e percebe uma câmera de CCTV, fica cheio de tranquilidade ou inquietação? E se a câmera não estivesse simplesmente gravando o que entra em seu campo de visão, mas estivesse identificado você, pesquisando em um banco de dados e resolvendo se você faz parte de uma "lista de observação" de indivíduos conhecidos?


Após anos de muitas análises e testes, a Polícia Metropolitana de Londres está introduzindo a tecnologia Live Facial Recognition (LFR) nas ruas da capital, na tentativa de rastrear criminosos procurados com mais rapidez e eficiência.


O software será implantado através de câmeras sinalizadas focadas em pequenas áreas para escanear os rostos dos transeuntes, em vez de ser adicionado aos sistemas de CFTV existentes ou através de câmeras corporais, e será estabelecido em áreas que a polícia acredita serem mais propensas para conter aqueles procurados por crimes graves e violentos.


O comissário assistente acredita que, como uma "força policial moderna", ele tem o dever de usar novas tecnologias para manter as pessoas seguras em Londres. "Estamos usando tecnologia comprovada e adotamos uma abordagem ponderada e transparente para alcançar esse objetivo", acrescentou, argumentando que o sistema já é amplamente utilizado pelo setor público do Reino Unido e que melhorará a eficácia das informações oficiais sobre suspeitos.


Segurança x privacidade


Embora ninguém possa argumentar contra o nobre sentimento de salvaguarda pública, a trajetória da polícia no que diz respeito à precisão da LFR está longe de ser brilhante. As solicitações de liberdade de informação do grupo de direitos civis Big Brother Watch, publicadas em maio do ano passado, revelaram que o software identificou incorretamente membros do público em 96% das partes realizadas em julgamentos entre 2016 e 2018.


Em um incidente, um garoto preto de 14 anos de uniforme escolar foi preso e recebeu impressões digitais depois de ter sido identificado incorretamente, enquanto outro caso viu um homem multado por fazer objeção ao rosto sendo digitalizado.


Da mesma forma, um estudo da Universidade de Essex, encomendado pela polícia para observar seis em cada dez implantações de teste de software, constatou que ele estava errado em 81% dos casos, o que fez com que os autores considerassem a tecnologia de vigilância invasiva que afeta diretamente uma série de proteções aos direitos humanos, incluindo aquelas relevantes à participação democrática.


Ao longo dos seis ensaios, apenas oito oficiais de reconhecimento facial conduzidos na tentativa de interromper e realizar uma verificação de identidade estavam corretos, resultando em uma taxa de erro de 81%.


As autoridades consideraram que 16 correspondências geradas pelo computador eram "inacreditáveis", o que significa que a imagem gravada pelo software não parecia corresponder à imagem armazenada em uma lista de observação individual e 14 casos foram encontrados incorretos após uma verificação de identidade. Quatro outras pessoas se perderam na multidão enquanto a polícia tentava verificar suas identidades


Como esperado, os defensores dos direitos humanos condenaram o anúncio, com a diretora do Big Brother Watch, Silkie Carlo, considerando a decisão de "um ataque impressionante aos direitos humanos". Por outro lado, Clare Collier, diretora do Liberty, grupo que atualmente desafia legalmente o uso de FR pela polícia de Gales, chamou de "perigoso, opressivo e completamente injustificado", afirmando que o Reino Unido foi empurrado para um estado de vigilância.


Mas como o público se sente em relação à LFR e quando a segurança começa a violar a privacidade pública?


A polícia diz que uma investigação independente mostrou que o uso do apoio público da LFR na polícia, respaldado pelas conclusões do Gabinete de Comissários da Informação (OIC) em janeiro de 2019, constatou que 82% dos 2.202 adultos pesquisados consideram aceitável que a polícia usasse LFR. Outros 72% concordaram que o LFR deveria ser usada permanentemente em áreas de alto crime.