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Atriz portuguesa lança laboratório criativo em Londres

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Por Marta Stephens


“Londres está cheia de talento e nem toda a gente tem acesso às oportunidades.” A frase é da atriz Raquel Cipriano, portuguesa a residir na capital inglesa há cinco anos. A multi talentosa artista, que acumula participações em filmes e séries no Reino Unido, resolveu usar sua experiência e talento para fortalecer a produção artística. É dela a ideia do Rcreatives Lab, um laboratório criativo para ajudar artistas a desenvolver projetos. Os encontros já começaram e acontecem em Londres. Artistas de todas as vertentes são benvindos - escritores, encenadores, actores e quem mais precise de um empurrão para produzir arte. Na entrevista a seguir, Raquel explica melhor o projeto. E também fala da sua vida de artista expatriada em Londres.


Notícias em Português - O que é o Rcreatives Lab?


Raquel Cipriano - O Rcreatives Lab é um laboratório criativo que pretende ajudar artistas (escritores, encenadores, actores etc.) a desenvolver as suas ideias. É também uma oportunidade para actores desenvolverem as suas capacidades de criar coisas novas e estarem em contacto com projectos em desenvolvimento de uma forma mais activa. Ainda este ano queremos trazer para o palco algumas das ideias desenvolvidas no nosso laboratório. Queremos com o Lab construir uma comunidade artística e incentivar à colaboração de artistas para a criação de novas peças de teatro que desafiem os conceitos convencionais e tratem se assuntos relevantes, espelhando o panorama social.


Como fazer parte do Rcreatives Lab?


Os actores podem inscrever se para participar no Lab, que tem a duração de 3 horas, no nosso website – www.rcreatives.co.uk. Os artistas com ideias a desenvolver podem entrar em contacto por e-mail – rcreatives@gmail.com.


Há mais gente talentosa do que oportunidades de produzir arte me Londres?


Definitivamente. Londres está cheia de talento e nem toda a gente tem acesso às oportunidades. É uma indústria bastante competitiva e a qualidade é incrível. Uma das coisas mais positivas é que há muito público e é um público muito diversificado, o que faz com que haja espaço para diferentes tipos de artes.


Há quanto tempo mora em Londres?


Este é o meu quinto ano em Londres – óptimo timing dado os últimos acontecimentos relativamente ao Brexit - mas vou a Portugal com muita frequência. Neste momento vivo a Vauxhall, mas já morei em cinco sítios diferentes e este ano tenho de mudar de casa novamente. As habitações em Londres são um dos maiores desafios.


Como a vida em Londres interfere na produção artística?


O panorama artístico e cultural de Londres é muito rico e o contacto com pessoas de diferentes nacionalidades e estilos de vida faz desta cidade um lugar muito inspirador e cheio de possibilidades. No entanto, sinto que por vezes o ritmo acelerado e a competição fazem com que a produção artística seja uma luta, e é por isso mesmo que estou a desenvolver o RLab. Em paralelo, estou a criar outros projetos ligados ao cinema.


Que dicas você daria a um artista recém chegado a Londres.


Ver muito teatro, cinema e conhecer muitas pessoas ligadas à indústria que frequentem os mesmos lugares. Nunca se sabe quem é que se vai encontrar. Os museus também são lugares fascinantes e inspiradores. Teatro recomendo as programações do National Theatre e do Young Vic. Em relação a cinema, BAFTA e BFI têm programações ao não perder.


Onde se sente em casa: Londres ou Portugal?


A nível profissional estou aberta a oportunidades tanto em Portugal como em Londres. Acredito que os lugares são feitos de pessoas e do que somos. Nestes últimos anos, o conceito de ‘casa’ e de ‘onde é que se pertence’ tem invadido os meus pensamentos. Estou muito grata às minhas raízes e à minha família – considero-me muito sortuda nesse aspeto e vou com muita frequência a Portugal.


Qual a sua relação com Portugal?


Estar longe das nossas pessoas é muito difícil. Ao viver fora de Portugal aprendi a valorizar muito mais o que o nosso país tem de bom e a sentir a falta das coisas simples que sempre estiveram ao meu alcance, como o sol, o mar e a família. Mas por outro lado também estou com os olhos mais abertos para com o que menos me identifico da nossa cultura.


E com Londres?


Com Londres, tenho uma relação de amor/ódio, às vezes preciso sair daqui para me reencontrar e outras identifico o que aqui construí como ‘casa’. Ao longo destes anos passei por várias fases: desde sentir que pertenço mais a uma cidade do que outra a sentir que não pertenço a lado nenhum. Hoje em dia não sinto a necessidade de encontrar uma resposta, o conceito de se ‘sentir em casa’ ligado a um só lugar no mundo parece me incompleto. Acho que, ao longo da vida, o lugar onde nos sentimos em casa pode e deve alterar-se, desde que sejamos inteiros.