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Empresa barra carteira de identificação portuguesa

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PROVA



Da Redação


Uma portuguesa que reside em Londres há 27 anos foi impossibilitada de assumir um novo emprego porque a empresa não aceitou a carteira de identificação de Portugal. A International Dance Supplies Limited, em e-mail enviado pelo diretor de recursos humanos Alexander Leonini, que a profissional não poderia começar a trabalhar com aquele documento por não se tratar de um cartão nacional de identidade, e sim de cartão de cidadania. O que não seria suficiente para provar que a cidadã portuguesa tenha direito a trabalhar no Reino Unido.


A portuguesa, que falou com esta reportagem, mas prefere não se identificar, ficou surpresa com a exigência. “Já tive vários empregos nessas quase três décadas e meu documento português sempre foi suficiente”, diz. “Enviei imagem da Wikipédia para mostrar que esse é o único documento que cidadão português dispõe.”


Os representantes da empresa, que fez a oferta de emprego formalmente no dia 30/01, disseram que ela poderia, então, apresentar o passaporte ou a certidão de nascimento, ainda que a portuguesa. “Eu não tenho passaporte, sempre entrei e saí desse país com a minha identidade portuguesa”, explica.


A profissional, que havia sido contratada para vaga multilingual customer service advisor, deixou um prévio emprego para aceitar a oferta da Dance Supplies. “Cheguei a comprar o cartão de transporte público para um mês, por £233”, diz. “Agora fiquei sem emprego e com prejuízo.”


Procurada pela reportagem, a Dance Supplies não retornou aos pedidos de esclarecimentos.


A portuguesa mudou-se de Porto para Londres há 27 anos, quando concluiu o curso universitário de turismo. Ela fala cinco idiomas, tem Insurance Number no Reino Unido e já teve vários empregos na capital inglesa.


A profissional não acredita que o Brexit seja, de alguma forma, motivador da atitude da empresa. Ela ainda não deu entrada no processo para permanência no Reino Unido. “Até 31 de dezembro, não muda nada e meu documento português vale do mesmo jeito do que antes do Brexit”, diz.