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Para vencer a dor

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Da Redação, com colaboração de Vanderli Bello*


A fibromialgia, também chamada síndrome da fibromialgia (SFM), é uma condição de longo prazo que causa dor em todo o corpo. Além da dor generalizada, as pessoas com fibromialgia também podem ter aumento da sensibilidade à dor; cansaço extremo (fadiga); rigidez muscular; dificuldade em dormir; problemas com processos mentais (conhecidos como "fibro-fog"), como problemas com memória e concentração; dores de cabeça; síndrome do intestino irritável (SII), uma condição digestiva que causa dor de estômago e inchaço. Para quem acha que tem fibromialgia, a melhor recomendação é visitar um médico. O tratamento está disponível para aliviar alguns dos sintomas, embora seja improvável que desapareçam completamente.


Como a fibromialgia é tratada


Embora atualmente não exista cura para a fibromialgia, existem tratamentos para ajudar a aliviar alguns dos sintomas e facilitar a convivência.


O tratamento tende a ser uma combinação de: medicamentos, como antidepressivos e analgésicos; terapias de conversação, como terapia cognitivo-comportamental (TCC) e aconselhamento; mudanças no estilo de vida, como programas de exercícios e técnicas de relaxamento.


Verificou-se que o exercício em particular tem vários benefícios importantes para as pessoas com fibromialgia, inclusive ajudando a reduzir a dor.


O que causa a fibromialgia?


A causa exata da fibromialgia é desconhecida, mas acredita-se que esteja relacionada a níveis anormais de certas substâncias químicas no cérebro e a alterações na maneira como o sistema nervoso central (cérebro, medula espinhal e nervos) processa as mensagens de dor transportadas pelo corpo. Também é provável que algumas pessoas tenham maior probabilidade de desenvolver fibromialgia por causa dos genes herdados de seus pais.


Em muitos casos, a condição parece ser desencadeada por um evento estressante física ou emocionalmente, como: uma lesão ou infecção; dar à luz; uma operação; o colapso de um relacionamento; a morte de um ente querido.


Quem é afetado


Qualquer pessoa pode desenvolver fibromialgia, embora afete cerca de 7 vezes mais mulheres do que homens. A condição geralmente se desenvolve entre as idades de 30 e 50, mas pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, incluindo crianças e idosos. Não está claro exatamente quantas pessoas são afetadas pela fibromialgia, embora pesquisas apontem ser uma condição relativamente comum.


Algumas estimativas sugerem que aproximadamente 1 em cada 20 pessoas pode ser afetada pela fibromialgia em algum grau. Uma das principais razões pelas quais não está claro quantas pessoas são afetadas é porque a fibromialgia pode ser uma condição difícil de diagnosticar.


Não há teste específico para a condição e os sintomas podem ser semelhantes a várias outras condições.


Grupos de apoio


Muitas pessoas com fibromialgia acham que os grupos de apoio fornecem uma rede importante onde podem conversar com outras pessoas que vivem com a doença.


Fibromyalgia Action UK é uma instituição de caridade que oferece informações e apoio a pessoas com fibromialgia. Se você tiver alguma dúvida sobre fibromialgia, ligue para a linha de ajuda da instituição de caridade pelo número 0300 999 3333.


O peso da fama


Lady Gaga e Morgam Freeman são duas das famosas que admitiram publicamente que têm fibromialgia. Só depois que Lady Gaga cancelou shows devido a dores e assumiu a doença, foi que a fibromialgia ganhou mais atenção da medicina, mas ainda existe um longo caminho a percorrer. Muitos médicos não estão preparados e não têm conhecimento suficiente para orientar os pacientes.


Só após muitas consultas e queima de hipóteses com relação às dores é que alguns pacientes têm a sorte de serem diagnosticados e encaminhados para tratamentos eficazes e que me amenizam as dores, pois a cura ainda não existe.


Fonte: NHS




Palavras de quem tem a doença


Aqui alguns relatos de membros da comunidade lusófona no Reino Unido que sofrem de fibromialgia



Beth Kress, 69 anos de idade, sofre de dores crônicas, mas nem por isso deixa de sorrir, socializar, e tomar sua taca diária de vinho tinto para relaxar. Além de fazer uso de alguns remédios receitados pelos médicos, Beth diz que aprendeu a conviver com a dor e a combate com longas caminhadas diárias e com o seu hobby de fotografar, que fazem bem para o corpo e para alma.



Marisa Nogueira, 39 anos, foi diagnosticada com fibromialgia em 2012 e desde então já passou por vários tipos de tratamentos. O que deu melhores resultados foi uma junção entre mudança na alimentação, exercícios físicos e suplementação de vitaminas que faltam no corpo. O grau de dor varia de 1 a 3 e Marisa percebe que, quando não exercita ou consome alimentos que contém glúten, lactose e açúcar, as dores aumentam. “As pessoas  dizem que eu me acostumei a conviver com dor, e eu falo que não, somente tento ir me adaptando”, diz.



Amos Oliveira, 57 anos, sofre de fibromialgia e dores crônicas há mais de 15 anos. As dores são muitas e andam pelo corpo, principalmente por ombros, cotovelos, mãos e costas. Muitas vezes, nem uma meia ele consegue calçar no pé de tantas dores que sente. Até hoje não encontrou um médico atencioso que o encaminhasse para tratamento adequado e só faz uso de gel (Voltarol) que tem efeito paliativo.



Adriano Borges, 44 anos, acredita que o choque da morte de sua mãe quando ele tinha 9 anos de idade foi o que desencadeou a fibromialgia, com quadros fortes de ansiedade, fadiga e dores pelo corpo. Foi só nos últimos anos que Adriano ouviu falar em fibromialgia. Foi então que ele se informou mais sobre as causas, efeitos e tratamentos.  “A luta maior sempre foi contra as constantes dores nas pernas, estômago e o distúrbio do sono, que também é muito prejudicial e leva à fadiga. Apesar da intensidade, as dores físicas podem ser controladas com medicamentos e, principalmente, com magnésio em pó, que para mim tem efeito calmante, ameniza as dores e me ajuda a dormir melhor”, conta.





Ajudar e ser ajudada


Por Vanderli Bello*


“Eu, após um acidente de carro em 2002, vivi com dores no ‘corpo e na alma’ até poucos anos atrás quando as dores ficaram insuportáveis. Eu me consultava no meu GP com muita frequência e sempre com dores que ‘andavam’ pelo corpo. Tive a sorte sempre me consultar com a mesma médica (o que muitas vezes não é possível). Foi ela quem detectou a fibromialgia em mim e me encaminhou para o departamento de medicina integrada do London Royal Hospital, que é um departamento de medicina alternativa do hospital dedicado a dores crônicas/fibromialgia, e que pouquíssimas pessoas conhecem. Exatamente na minha primeira consulta, aprendi a ver as minhas dores com outros olhos. Saí de lá tão animada e determinada a não me deixar vencer e ajudar as pessoas que passam pelas mesmas agonias e dores que criei o “Xô Fibromialgia, a dor do corpo e da alma” - um grupo de apoio no Facebook. Trata-se de um espaço de apoio mútuo seguro para quem quer falar das suas dores e do que está fazendo para driblar isso. Tento usar de muito positivismo e atenção direcionada para incentivar novos hobbies, novas atitudes e práticas que vêm auxiliando os seguidores em suas jornadas por dias melhores e sem dor.”


* Vanderli Bello é escritora, membro do Centro de Cidadania do Reino Unido e criadora do grupo de apoio “Xô Fibromialgia, a dor do corpo e da alma” , no Facebook.


https://www.facebook.com/fibriomialgiadordocorpoedaalmagrupodeapoio/