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Brasileiro vence Via Arts Prize 2019

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AntonioTarsis




Da Marta Stephens e Arelys Gonçalves


O brasileiro Antonio Társis, natural da Bahia, é o vencedor do VIA Arts Prize 2019, o único concurso de artes visuais com tema ibero-americano do Reino Unido. Artistas de todas as partes enviaram trabalhos originais inspirados nas artes e culturas latino-americanas, espanholas e portuguesas. O prêmio é organizado pela ACALASP (Associação de Adidos Culturais da América Latina, Espanha e Portugal) e apoiado pelos Projetos do Palácio do Povo e pelo Instituto Cervantes.


Antonio Társis venceu com sua colagem multicolorida intitulada “Colored export”, que usa restos de caixas de frutas coletadas nos mercados de rua de Londres em Dalston, Whitechapel e Peckham. O artista brasileiro extrai fragmentos, cores e informações impressas em caixas de banana, laranja, manga e limão para desenvolver composições abstratas e minimalistas usando uma técnica de colagem de papel. As caixas chegam a Londres em grandes contêineres e navios, exportados de países como Brasil, Colômbia, Equador, Honduras e Venezuela. Embora criado como colagem, o artista se refere à pintura e às possibilidades oferecidas pela cor, usando o aspecto pictórico para tratar de questões atuais.


O segundo lugar da premiação também é de um brasileiro, Alexandre Canonico. As obras de todos os finalistas podem ser vistas até dia 11 de dezembor, na sede da embaixada do Brasil em Londres.


Desde sua casa londrina, onde vive há apenas quatro meses, Antonio Társis, vencedor do Via Arts 2019, deu a seguinte entrevista exclusiva para Notícias em Português.


Notícias em Português - Qual a sua relação com Londres? Você mora aqui? Desde quando?
Antonio Társis - Vim para Londres em janeiro (2019), desenvolver uma pesquisa sobre O Ciclo do Ouro no Brasil e suas relações com a Revolução Industrial promovida pela Inglaterra. Seria um processo de pesquisa com duração de dois messes, acabou se tornando quatro. Ao longo desse período, tive a certeza de que queria viver e dar continuidade a minha produção artística na cidade. Receber o premio Via Arts Prize chegou para consolidar e ter mais certeza de que, continuar morando e vivendo na cidade, foi a escolha certa.
De que forma a vida londrina impacta e modifica sua produção artística?
Geralmente, os meus trabalhos iniciam coletando materiais no espaço urbano. Londres tem cada vez mais se construído e se ajustado na pluralidade cultural, de pessoas que saem dos mais variados países para se estabelecerem aqui. Nesse sentido, as demandas acabam se tornando inevitavelmente mais diversas, aqui é possível encontrar produtos e materiais de vários países diferentes, e isso acaba gerando um serie resíduos urbanos, que servem e servirão de subsídio para meu trabalho. Ou seja, é uma modificação brutal, pois tenho coletados materiais que são de diversas partes do mundo.
Em uma entrevista recente, você comentou que se descobriu artista após a precoce morte da sua mãe, quando você tinha apenas 13 anos. Pode nos falar mais sobre essa fase?

Sim, minha mãe era empregada doméstica e faleceu pouco antes deu completar 14 anos. Perder uma pessoa tão importante, com certeza me fez pensar e repensar sobre o mundo. A criação automaticamente veio como uma reposta ao luto.
Poderia falar um pouco do processo de criação da obra vencedora do Via Arts?
C
olored Export é o título da série no qual trabalho com pequenos fragmentos coloridos, extraídos/recortados de caixas de frutas, coletadas após o final das feiras de rua em; Dalston Makert, Whitechapel e Peckham Rye. Essas caixas chegam em Londres por meio da exportação de países que geralmente estão presentes na África, Ásia, America do Sul e America Central. Apesar de ser colagem, essa serie fala sobre pintura e as possibilidades de construção com as cores que são exportadas por esses continentes em direção da Europa e que transitam e passam pelo oceano Atlântico.
Quais são seus planos? Alguma exposição em breve em Londres?


Sim, em setembro fiz a minha primeira exposição individual em Londres, que aconteceu no SET Studios, que fica em Dalston Lane. Próximo ano, tenho duas individuais para serem feitas aqui em Londres, uma no SET Studios novamente, e outra na Embaixada do Brasil, como parte do prêmio Via Arts Prize, além de uma residência artística na Akademie Schloss Solitude, em Stuttgart, na Alemanha.