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Milhares de portugueses residentes em UK não conseguiram votar

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220px Marcelo Rebelo de Sousa em fevereiro de 2018

Presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa


Por Manuel Gomes


A CNE (Comissão Nacional de Eleições) rejeitou reclamação do PSD, segundo partido mais votado em Portugal, que impedia o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa de dar posse ao governo até que fosse finalizada a contagem de votos pela emigração. São muitos os relatos de portugueses residentes no Reino Unido e em outros países estrangeiros que não conseguiram votar nas eleições do dia 6 de outubro.


Entretanto, o governo, maioritariamente constituído pelo Partido Socialista, não esperou para anunciar a composição do próximo elenco governativo tendo nomeado a secretária de Estado Berta Nunes para a pasta das Comunidades.


Dois detalhes estão a deixar os emigrantes portugueses em polvorosa em todo o mundo.


Um deles, prende-se com o facto de milhares (talvez milhões) de votos por correspondência terem sido inutilizados pelos serviços de correio, eliminando assim a possibilidade de os emigrantes poderem ter votado. Na África do Sul, por exemplo, suspeita-se que seja residual o número de portugueses que puderam votar enquanto que no Reino Unido são milhares as reclamações de portugueses que viram os seus votos postais devolvidos para as suas próprias residências. Vários movimentos cívicos de dimensão mundial nascidos em Londres têm levantado projectos tendentes a reclamar da atenção do poder político para as questões cívicas e foi também em Londres que surgiu um movimento que logrou a alteração da Lei Eleitoral.


Outra questão que está a deixar os portugueses espalhados pelo mundo à beira de um ataque de nervos é a escolha de Berta Nunes para secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, a exemplo do que aconteceu com o seu antecessor José Luís Carneiro.


Sucessivos governos têm optado por escolher para o elenco governativo referências sem qualquer tradição nas comunidades ou conhecimento sobre estas, deixando os mais experientes deputados sobre o assunto como os parentes pobres da política.


A verdade é que os protestos dos emigrantes portugueses pressionaram o partido PSD, que apresentou a reclamação na CNE, e esta acção levou o presidente da República a adiar a tomada de posse do governo. Os portugueses residentes no estrangeiro têm, nos últimos anos, encontrado formas de criar movimentações políticas com resultados práticos e Londres tem vindo a firmar-se uma alternativa a Paris, cada vez menos bastião da política portuguesa.