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O JEANS DE CADA DIA

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Por Gabriel Colombo*

Eu pensava que a fila era uma das coisas mais democráticas do mundo. Não é. A calça jeans é muito mais. Pode ser em Nova York, Tóquio, Londres, Brasil, Portugal ou Paris: ela está em tudo e em todos. Coisas que nunca saem da vida: jeans, vestidos, terno preto e sorrisos.

Normalmente, fico em dúvida entre o número 30 ou 32. E sempre tem a opinião e aquele papo da vendedora dizendo ser melhor comprar um pouco justa porque a calça cede. Nesse meio tempo, ficamos nos sentindo inconfortáveis e a digestão não cai bem. No início, aperta um pouco. É bom comprar a certa. Recuso-me a comprar a 34.

Que vestimenta! Ela é mais velha do que eu e devo respeitá-la. Foi idealizada por Levi Strauss, na tentativa de criar roupas resistentes para os mineradores de pedreiras nos Estados Unidos. Nós, mineradores da selva urbana, precisamos e gostamos de tal uniforme.

Anos atrás, notando minha conta bancária vindoura, peguei um táxi e pedi para me dirigir à Bond Street. Entrei na Dolce & Gabbana e de lá saí com uma calça rasgada com barrado xadrez. Paguei 959 libras por um jeans da Guerra dos Farrapos/Revolução Farroupilha e, quem nasceu ou visitou o Rio Grande do Sul (BR) sabe do que eu estou falando. No táxi de volta, eu sentia o embargo do arrependimento. Mas, o jeans da Dolce é imbatível, porém aquelas estratégicas aberturas causadas pela moda, foram se abrindo e mãos bobas e ventos de 100 km começaram a entrar.

Fui numa costureira e pedi para fechar todo e qualquer vão, com forro. Como a cada dia aprendemos, encontrei uma outlet em Hammersmith, na qual entrei. Saí de lá com um jeans básico, camisa e sapatos, por menos valor do que paguei na Dolce. Eu me senti firme; eu me senti forte e também exausto, dentro do metrô, com uma hora para ir e outra para voltar.

Acredito que o jeans rasgado começou com o movimento punk, embalado pela estilista Viviane Westwood, nos tempos em que imperava a atitude radicalista e de protesto ao status quo- ao pré-estabelecido.

Hoje, a Vogue diz que o modelo rasgado é de bom senso e arrojado.

Algo bem relativo, pois não imagino minha mãe vestindo jeans e, muito menos, retalhado.

Há para todos: Delave, Mom Jeans. Com Lycra. De cintura alta. Wide leg. Copped. Fisherman. Cargo. Patchwork. Com elástico. Brilho. Aplicações. E, certamente algum se encaixará com a sua personalidade, sem esquecer que cintura baixa é só para as jovens sem barriga e que as skinny são patrimônio dos magros de pernas esguias.

Verdadeira mutação, fabricam da baratinha à cara, e cabe em todos os bolsos, conferindo conforto e praticidade, a ponto de você gozar da felicidade de estar bem vestido e seguro. Sabendo escolher com sabedoria, será uma das melhores aquisições, onde você não errará ao se apresentar ao mundo, tendo virado marca mundial.

O elemento básico para vestir bem a calça é só um: Você. Ela iguala homens e mulheres nesse quesito do guarda –roupa. E tem mais possibilidades para perdurar para sempre entre nós, do que se eclipsar.

E convenhamos: vestindo um belo jeans de acordo com o seu manequim; um salto alto, uma bela camisa sob uma arrojada jacket, estará pronta para diversas ocasiões: da banca de jornal, passando pelo supermercado e comparecendo ao seu coquetel.

-E, quanto aos homens?...só substituir o salto alto pelo baixo.

Ambos sem esquecer: o banho cheiroso e o penteado no capricho. Com aquela determinada atitude e vontade que nos faz levantar da cama todos os dias e estendermos nossos lençóis. Para encararmos o mundo. Tão profundo. Tão elástico. Tão (im)possível.


* Gabriel Colombo é jornalista, residente em Londres. gabriel@gabrielcolombo.co.uk