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Salvador Sobral

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Salvador Sobral 2 C Ana Paganini (1)




Por Marta Stephens


Salvador Sobral mudou o rumo da música contemporânea lusitana ao ser o primeiro português a vencer o Eurovision 2017, em 53 anos de participação do país na competição. O mundo inteiro assistiu emocionado a emocionante interpretação para a canção "Amar pelos dois", composta pela a irmã dele, a também cantora Luísa Sobral. Ele venceu a competição a final com 758 pontos, o que, sob o sistema de votação atual, representa o vencedor com maior pontuação na história do concurso.


Mas antes da final, Sobral precisou interromper a carreira para tratar de problemas cardíacos. Ele fez um transplante de coração e voltou ao palco, para ser ovacionado. E segue sendo uma importante referência da novíssima cena musical portuguesa.


Com novo disco na praça (“Paris, Lisboa”), Salvador Sobral se prepara para seu primeiro show em Londres, do dia 20 de fevereiro de 2020. Bem disposto ao ponto de somar 60 shows apenas este ano, o fã de Chet Baker e música popular brasileira se apresenta no Electric Brixton com a mesma banda que o acompanha desde 2015: piano, bateria e contra baixo.


De Lisboa, onde mora, Salvador Sobral deu a seguinte entrevista exclusiva à Notícias em Português.


Notícias em Português – Qual sua relação com Londres?


Salvador Sobral – A Londres já fui como turista, mas não conheço muito bem. Essa será a primeira vez a tocar no Reino Unido. Meu desejo seria seguir uma longa turnê por outras partes da Inglaterra, Escócia, Irlanda, mas por hora tenho apenas um show confirmado em Londres.


O que traz para essa apresentação?


Minhas apresentações sempre têm músicas novas, antigas e outras inéditas, porque gosto de tocar para o meu público antes de gravar uma canção. Então o repertório vai desde o primeiro disco até outras nem editadas. E sempre me pedem para tocar a música vencedora do Eurovision, e isso não me incomoda.


Sente-se pressionado para produzir canções que superem o sucesso de “Amar pelos dois”?


Não muito porque não foi apenas uma canção, mas uma série de fatores que me fez ficar famoso. Uma repercussão como a de “Amar pelos dois” tão cedo vai acontecer de novo.


Ainda cria em parceria com sua irmã, a também cantora Luísa Sobral?


Sim. Ela acabou de compor uma nova canção. É possível que entre no repertório do show de Londres.


Quem estará no palco com você?


A mesma banda que me acompanha desde 2015. Somos um quarteto: bateria, contra baixo, piano e voz. Somos todos portugueses e nos conhecemos muitos bem. A interação entre nós é espontânea.


O que pensa da música contemporânea portuguesa?


Penso que está em plena saúde, com muito boa música emergente. António Zambujo está aí para nos provar isso. Acho que há uma cena forte de música portuguesa que traz as mesmas referências dos ritmos portugueses.


Qual o idioma em que prefere cantar?


Em português. Canto a maioria das minhas canções em português, acho que isso me ajuda a cantar com mais verdade, com mais honestidade.


A música popular brasileira é mesmo uma importante referência para você?


Sem dúvida. Caetano Veloso, Chico Buarque me acompanham sempre. Não interpreto canções deles no meu show, mas a música brasileira é sempre uma referência para mim. E não só a antiga.


O que você diria a um jovem cantor, que pensa em formas de mostrar sua arte?


Participar de competições, eu não aconselho. Se gosta mesmo de música, é preciso estudar muito e tocar muito também. Em bares, restaurantes, entre amigos. Eu só participei do Eurovision por insistência da minha irmã, mas estudei na escola de arte, toquei em muitos bares e continuo tocando muito. Só este ano, já fiz 60 shows. Estou agora de partida para Ucrânia, Holanda e Islândia.




Salvador Sobral


20/02, às 19h


Ingressos a £ 29 (com taxas)


Electric Brixton


Town Hall Parade, SW2 1RJ


www.comono.co.uk