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Londres

Mais protesto na frente da embaixada, pela Amazônia

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TaliaWoodin @taltakingpics 15 940x627


Da Redação

Centenas de manifestantes se reuniram em frente à embaixada brasileira em Londres na sexta-feira (23/08) para expressar a indignação contra a forma que o presidente Jair Bolsonaro tem reagido aos incêndios florestais na Amazônia.

Ativistas ambientais do grupo Extinction Rebellion lideraram os protestos em Londres, juntamente com outras grandes cidades em todo o mundo, juntando-se ao coro de condenação que os líderes mundiais, incluindo Angela Merkel e Emmanuel Macron, fizeram contra a resposta do governo brasileiro à crise.

Mais de 800 pessoas compareceram à manifestação de Londres nesta manhã, de acordo com um porta-voz do Extinction Rebellion. 

Parlamentares do Labour Party estão exigindo garantias do primeiro-ministro britânico Boris Johnson de que ele não assinará um acordo comercial pós-Brexit com o Brasil, se o governo desse país continuar com a política ambiental que tem permitido a destruição da floresta amazônica.

Os políticos enviaram uma advertência para o primeiro-ministro desconfiar de um acordo com o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, acusado de incentivar madeireiros e fazendeiros a devastar a floresta. Barry Gardiner, secretário de comércio paralelo, disse: "Não podemos arriscar nosso planeta a comprar carne barata. Johnson se recusou a se juntar ao presidente da França, Emmanuel Macron, e ao primeiro ministro irlandês Leo Varadkar, ameaçando bloquear um acordo comercial sul-americano se Bolsonaro não cumprir seus compromissos de proteger o meio ambiente.

“A Amazônia é o grande escudo do nosso planeta contra a mudança climática e estamos destruindo-a intencionalmente. As casas dos povos indígenas e milhões de espécies de plantas e animais estão sob ameaça.

“A visão de Boris Johnson para a Grã-Bretanha depois de No Deal Brexit parece ser a de que vendemos o NHS para a América de Trump, destruímos a Amazônia com um acordo com o senhor Bolsonaro e abastecemos a guerra vendendo armas à ditadura saudita”, disse à BBC Barry Gardiner.

Entenda o caso

A polícia brasileira está investigando a ação de incendiários, que teriam sido convocados por um grupo de WhatsApp no dia 10 de agosto para incendiar as margens da BR-163, rodovia que liga Altamira, no Pará, aos portos fluviais do Rio Tapajós e ao estado de Mato Grosso.

Comenta-se que pelos menos 70 pessoas – entre sindicalistas, comerciantes, produtores rurais e grileiros - estavam em contato neste grupo. Tudo isso teria partido do Distrito de Cachoeira da Serra, um dos polos agrícolas mais disputados na região. 10 de agosto seria lembrado como o “Dia do Fogo”, com ordens para incendiar a maior área de floresta possível.

Enquanto isso, as notícias e a indignação em torno das queimadas na floresta amazônica ganham a indignação ao redor do mundo. O primeiro grande ato contra o governo brasileiro aconteceu aqui na capital inglesa. Na manhã da terça-feira (13/08), a fachada da embaixada brasileira em Londres foi pintada de vermelho por ativistas do grupo Extinction Rebellion. Na sexta-feira (24/08), novamente representantes desse grupo lideraram um protesto pacífico, com enorme adesão (calcula-se 800 pessoas) em frente à embaixada.

Houve protestos em outras capitais do mundo, com o apoio da indignação de líderes mundiais como Angela Merkel e Emmanuel Macron.

A Irlanda e a França declararam que votarão contra qualquer acordo comercial entre a União Europeia e o bloco comercial sul-americano Mercosul, a menos que sejam tomadas medidas para resolver a crise.

Aproximadamente 73 mil incêndios florestais, a maioria dos quais na Amazônia, foram registrados no Brasil nos primeiros oito meses deste ano - o maior número anual desde 2013.


"Não há como a Irlanda votar pelo Acordo de Livre Comércio UE-Mercosul se o Brasil não honrar seus compromissos ambientais", disse o primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar.