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Londres

Exposição gratuita discute a fronteira entre arte e produto

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Da Redação


Há várias maneiras de conhecer a história de Londres, e uma delas definitivamente passa pela arte. Um interessante panorama de um período recente está nas salas da galeria Sprüth Magers, em Mayfair, na exibição intitulada New Order: Art, Product, Image 1976 – 1995 – em cartaz até 14 de setembro.


A exposição coletiva tem obras selecionadas por Michael Bracewell, que pesquisa identidade e imagem na arte, cultura e sociedade britânicas. A ideia da mostra nasceu de uma discussão sobre o status cultural e posicionamento histórico da arte de uma das obras mais conhecidas do designer Peter Saville para a Factory Records: a capa do álbum do New Order, Blue Monday. Feita no início dos anos 1980, muitos a consideram um divisor na definição de fronteira entre arte, design, pop e produto.


Contam que, quando Saville foi visitar a banda em seu estúdio de ensaios, ficou fascinado com o equipamento que usavam para criar os sons. “Eu peguei essa coisa fascinante da mesa”, Saville disse à revista Mojo em 2005. “O baterista Steve Morris disse que é um disquete, você nunca viu um? Eu perguntei se poderia pegar e voltei para Londres ouvindo Blue Monday em um cassete, mas olhando para este disquete. Eu sabia que havia um link intrínseco entre o disco e sua nova direção. Quando cheguei ao fim do M1, sabia que a capa de Blue Monday seria um disquete.”


A exposição, cuja entrada é gratuita, aborda a interpretação pioneira de Richard Hamilton de imagem, tecnologia, processo e mercadoria, passando pelo design de Saville, pelos retratos da sociedade britânica por Karen Knorr e Olivier Richon, e finalmente pelos primeiros vídeos do que veio a ser chamado Young Artistas britânicos.


Como explica a apresentação da mostra, toda em inglês, “o período considerado na coleção abrange o crepúsculo da cidade pré-digital, modernista e o alvorecer da era pós-moderna do computador”.


O começo da exposição data dos anos 1990 com uma fila de monitores de frente para a rua da galeria do térreo. Ali são exibidos vídeos de Angus Fairhurst, Gary Hume, Sam Taylor-Johnson e Damien Hirst.

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O alvorecer da era punk e as mudanças sociais anunciadas são apresentadas nas fotografias de Karen Knorr e Olivier Richon de punks nos clubes anárquicos do West End de Londres, em 1976 e em 1977. Eles conscientemente posam, parecendo, assim, tanto sinceros quanto conflituosos, nitidamente iluminados pelo flash. Alguns anos depois, a série de Knorr Belgravia mostraria a rica elite do Thatcherismo inicial, legendada por descrições de suas vidas cotidianas ou fragmentos de conversa que complicam a leitura da imagem e limitam os retratos à caricatura. “Tanto os punks quanto os retratados por Belgravia são revelados como sociedades exclusivas e autopoliciadoras, igualmente preocupadas com a exclusividade, o dogma, o credo e a camuflagem social”, explica a curadoria.


Quando a onda punk perdeu força, seguiu-se a atmosfera de cultos à alienação e música eletrônica, respondendo em parte a um clima econômico e político do Reino Unido. Essa foi também a era que viu a ascensão dos computadores, coincidindo com o uso popular do termo "pós-modernismo" como uma abreviação cultural para descrever uma nova experiência da sociedade e da cultura.


O trabalho de Peter Saville para a Factory Records exemplifica as maneiras pelas quais as excursões pioneiras à pós-modernidade poderiam ser trazidas para os mercados de massa. “Sua capa para Blue Monday era uma obra de arte que qualquer um poderia comprar na loja de discos.”




NEW ORDER: ART, PRODUCT, IMAGE 1976 – 1995


ATÉ 14 DE SETEMBRO, de terça a sábado, das 10h às 18h


GRÁTIS


SPRÜTH MAGERS LONDON  


7A Grafton St, Mayfair, W1S 4EL