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Londres

Ativistas pintam embaixada brasileira de vermelho-sangue

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Extinction Rebellion

Extinction Rebellion protest in front of Brazilian Embassy in London




Da Redação*
Às 8h da manhã desta terça-feira (13/08), em Londres, membros da Extinction Rebellion, grupo de ativistas conhecido como “the snowflakes”, bloquearam as principais entradas da embaixada brasileira na Cockspur Street, perto da Trafalgar Square. Até o fechamento desta edição, a embaixada do Brasil não comentou a ação. Seis manifestantes foram presos.
Os rebeldes usaram estênceis de tinta e papelão para cobrir as paredes e janelas da embaixada com mensagens de dissidência ao governo brasileiro e ao presidente Jair Bolsonaro. Em seguida, pintaram a fachada do prédio com tinta vermelha para simbolizar o sangue dos povos indígenas do Brasil.
Iggy Fox, 24 anos, um biólogo da vida selvagem que participou da ação em Londres disse: “A ideia por trás disso é desafiar as pessoas a refletirem sobre as ações do Estado brasileiro que colocam em risco nosso futuro. Quem está causando o dano real aqui? Quem é o criminoso?”.
Os ativistas se prenderam ao edifício, prendendo travas de bicicletas no pescoço e nas maçanetas das portas para manter o bloqueio. Eles então foram cercados por mais ativistas que participaram de uma marcha nas proximidades - uma vigília por defensores do meio ambiente assassinados, que inicialmente era uma ação separada de outro grupo do Extinction Rebellion. Isso impediu que os funcionários da embaixada entrassem no prédio para o trabalho da manhã.
Sian Vaughan, 54 anos, um diretor aposentado de escola primária que participou da ação em Londres, disse: “Precisamos que todos saibam o que está acontecendo no Brasil e digam ao governo do Reino Unido para agir. Se fecharmos os olhos para a destruição criminal, nossos filhos pagarão o preço. A crise climática é global”.
Esta é uma das várias vezes em que ativistas da Extinction Rebellion no Reino Unido atacaram a embaixada brasileira. Em novembro, eles realizaram uma “grande festa queer” do lado de fora do prédio para protestar contra a homofobia aberta de Bolsonaro e as ameaças de industrializar a Amazônia. Em abril, realizaram um “Carnaval do Caos” fora da embaixada para destacar os danos causados às florestas tropicais da América Latina, com uma banda de samba e discurso da designer britânica Vivienne Westwood.
Mas essas exibições dramáticas são consideradas "apenas o começo" das ações rebeldes dirigidas ao governo brasileiro. Os ativistas entregaram uma carta à embaixada exigindo que o governo brasileiro promulgue as demandas feitas por grupos indígenas reunidos em Brasília no Acampamento Terra Livre de 2019. A carta sugeria que, se não recebessem uma resposta e vissem ações concretas, a Extinction Rebellion colaboraria com outros grupos para iniciar um boicote internacional a empresas brasileiras. 

* com a colaboração de Extinction Rebellion