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Faith Ringgold na Serpentine: 50 anos de arte e luta

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Marta Stephens

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Faith Ringgold na Serpentine: 50 anos de arte e luta

Por Marta Stephens

O momento não poderia ser mais oportuno para uma exposição da obra de Faith Ringgold. A retrospectiva dos 50 anos de carreira dessa artista nascida no Harlem, em Nova York, em 1930, é uma chance de vivenciar a luta contra racismo e sexismo pela arte.

Como pintora, ativista e autora de livros infantis, Faith Ringgold desafia as percepções de identidade afro-americana e as desigualdades de gênero há cinco décadas. Ela cresceu no contexto criativo da chamada Harlem Renaissance e se inspirou em contemporâneos como o escritores James Baldwin e Amiri Baraka.

As peças mais famosas da artista, que esteve em Londres para o lançamento da sua exposição na Serpentine Gallery, são as colchas onde combina narrativas pessoais, história e política com gravuras. Uma das salas da galeria londrina é dedicada às colchas produzidas entre 1983-1988.

Em plena era Trump e de assustadora ascensão da extrema-direita em países como o Brasil, a visita à essa exposição, a primeira desse porte da artista na Europa, se faz ainda mais necessária.

Arte com causa

A produção artística de Faith Ringgold com contexto político tem início com a série American People, produzida entre 1963 e 1967, na qual a artista expõe as diferenças sociais e as tensões raciais vivenciadas durante as lutas pelos direitos civis, culminando com o movimento Black Power.

Nos anos 1970, a questão dos direitos da mulher entrou na pauta da artista, não apenas como tema de suas colchas e pinturas, mas também nas suas ações. Faith esteve à frente de muitos protestos feministas, como os direcionados aos museus de Nova York. A demanda: igualdade de representação de gênero nas exibições. São dessa época uma série de cartazes expostos em Londres.

Na Serpentine Gallery, e de graça, é possível ver duas das mais impactantes colchas da artista americana, ambas da chamada American Colletion.

“We came to America”, de 1997, aborda a migração de africanos para os Estados Unidos e as promessas de democracia quebradas. Nas palavras de Michele Wallace: “Há a Estátua da Liberdade negra, seu cabelo em dreadlocks, segurando um bebê em uma mão e uma pequena tocha na outra. Ao redor dela, as águas do Atlântico estão tomadas de corpos negros. No fundo, há a imagem de um navio de escravos em chamas.”

A segunda obra essencial de Ringgold chama-se “The flag is bleeding”, de 1997, e coloca a bandeira dos Estados Unidos sangrando como metáfora dos problemas sociais do país. A pintura exposta em Londres até dia oito de setembro é a segunda com esse título. Traz a imagem de uma mulher negra, que parece sangrar do coração, a proteger suas duas crianças. Belo e impactante, como prova ser toda a trajetória dessa artista.


Faith Ringgold

Até 8 de setembro. GRÁTIS

Serpentine Gallery

Kensington Gardens


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