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Bem-estar

A dieta da felicidade

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Por Priscila Schramm Gonsalez*


Eu trabalho no maior centro de tratamento de obesidade da Inglaterra e, depois de ter visto centenas de pessoas que tentam emagrecer, na maioria das vezes sem sucesso, descobri que um dos principais obstáculos para o alcance dos resultados é que não há como se atingir um resultado positivo focando em um futuro distante.


Chamamos este fenômeno de "A tirania de quando", que todos nós experimentamos em algum momento ou outro quando dizemos a nós mesmos (ou a outros): "Eu ficarei feliz quando... tiver mais dinheiro, quando tiver uma casa maior etc.” Ou, o que mais ouço todos os dias tratando de pessoas acima do peso, “eu ficarei feliz quando perder peso”.


O problema para muitas pessoas é que (por uma variedade de razões) elas nunca chegam lá. Casas maiores, carros mais caros, a melhor fatia de pizza e assim por diante. Os psicólogos do meu trabalho referem-se a isso como a "esteira hedônica" para mostrar como estamos constantemente correndo, como se estivéssemos em uma esteira, não chegando a lugar algum!


Como resultado, nós não experimentamos muita alegria ou satisfação como gostaríamos. Na verdade, nos sentimos frustrados, desapontados e absolutamente infelizes. Mesmo mais magros.


Não há outro aspecto de nossas vidas em que a "esteira hedônica" seja mais evidente do que em nossos comportamentos alimentares modernos. Podemos aumentar a porção de pipoca por 50 centavos a mais no cinema ou pegar uma batata frita tamanho família por somente 10 centavos de diferença. Nos dias de hoje, servimos massas em pratos gigantescos. E, em comparação com a garrafa de refrigerante padrão da família dos anos 60, que era de apenas 750mls, hoje estamos consumindo mais de 3 litros.


É claro que, para combater o problema crescente, as intervenções de dieta mais populares incluem muitos remédios, aqui na Inglaterra o mais comum é o Orlistat, e inclui também alimentação restritiva, rotinas de exercícios e negatividade. Nossa abordagem para perda de peso na maioria das vezes é punitiva. Assim, muitas pessoas se sentem deprimidas, sem esperança e desamparadas quando são culpadas por excesso de peso.


Mas há uma abordagem diferente?


Considerando que a maioria das dietas propõe que, se você perder peso, você será feliz; A dieta da felicidade propõe que, se você ficar feliz primeiro, perderá peso. E a boa notícia é que isso não é algo que eu inventei, é baseado em uma crescente literatura científica que apoia a abordagem de “positividade” para perda de peso, a chamada teoria das emoções positivas.


O que isto significa para a sua perda de peso é que as emoções positivas não são apenas boas; mas elas podem reprogramar as mensagens automáticas de comida negativa que seu cérebro dá ao seu corpo sobre comida. Assim, você naturalmente acaba escolhendo alimentos que são melhores para o seu corpo e, consequentemente, perde peso.


As descobertas sobre a positividade são profundas - não apenas para perda de peso, mas para todas as áreas da vida. Positividade significa que agora, em vez de sucumbir à tirania do quando, podemos utilizar “o poder de então”. Podemos aproveitar a ideia de que, se pudermos criar a felicidade primeiro, poderemos alcançar mais metas. Podemos aproveitar as maravilhas das emoções positivas antes e depois de termos sucesso em nossos esforços. Também conseguimos alcançar uma ótima saúde nutricional; e ainda para obter o corpo que sempre sonhamos.


Então é isso; não espere perder peso para encontrar a felicidade. Encontre maneiras de se sentir feliz primeiro e depois descubra o verdadeiro sucesso da perda de peso!


* Priscila Schramm Gonsalez é nutricionista funcional, especialista em desequilíbrios hormonais, saúde da mulher, doença crônicas e emagrecimento. Atende pacientes em consultório e pelo NHS.


Você tem uma pergunta sobre nutrição, saúde e bem-estar? Envie para priscilasgonsalez@gmail.com