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O feminino segundo a artista portuguesa Ana Palma, em Londres

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Verdade Ana Palma. 2019. Acrylic on canvas. 50x60cm



Por Marta Stephens

Termina domingo, dia 26/05, a exposição individual da portuguesa Ana Palma, na galeria Deptford Does Art, no sul de Londres. Esta é uma oportunidade de conhecer o trabalho dessa artista que investiga a relação entre seres humanos e natureza. A figura humana e o mundo natural são temas de seus desenhos na exposição intitulada “Femina”. Nascida no Norte de Portugal, em uma vila chamada Barroselas, perto de Viana do Castelo, Ana mora em Londres desde 2015. A seguir, ela conta, aos leitores de Notícias em Português, mais sobre seu trabalho.


Notícias em Português - Sua exposição tem como tema o feminino. O que faz a mulher um ser feminino?

Ana Palma - “O que faz a mulher um ser feminino?” É uma excelente pergunta sobre a qual reflito e exploro através da linha e da mancha, recorrendo a retratos, elementos naturais e à escrita. No conjunto de trabalho que apresento em ‘Femina’ lanço ao público uma série de questões relacionadas com a mulher e sua relação consigo própria e com o mundo. Trata-se de questão complexa que considero extremamente relevante no atual contexto sócio-político e que, por essa razão, faz sentido deixar em aberto. No fundo, toda a exposição convida à reflexão sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea.

Considerando a vida cosmopolita em Londres, o nosso é um bom ou um mal momento para ser mulher?

Londres é uma cidade jovem e com muita diversidade, o que a torna mais receptiva à ideia de equidade entre homens e mulheres, contudo, tal como noutras sociedades ocidentais, existem comportamentos e concepções muito enraizados que levarão gerações a mudar. Espero que a História possa continuar a registar momentos charneira que nos aproximem de uma sociedade onde mulheres e homens possam fazer escolhas de forma livre e sem condicionamentos de género.


Como a vida em Londres influencia e modifica a sua arte?

Londres é uma cidade extremamente vibrante e estimulante a nível artístico, o que acaba por influenciar diretamente o meu trabalho. Até hoje permitiu-me contactar e trabalhar com pessoas de todo o mundo, ofereceu-me oportunidades de crescer e evoluir profissionalmente e, acima de tudo, oferece um dos melhores programas culturais do mundo.

Seu trabalho artístico fala de alguma maneira especial aos portugueses?

Penso que o meu trabalho artístico tem a vantagem de utilizar uma linguagem que é universal, a da arte, que por sua vez extrapola os limites da palavra e das fronteiras provocando sentimentos e emoções. No entanto, sendo o meu trabalho extremamente pessoal, é possível entender nele anos de percurso enquanto mulher e artista em Portugal.

Como tem sido o retorno da exposição em Londres?

Embora a inauguração de ‘Femina’ tenha acontecido há poucos dias, o feedback está a ser bastante positivo.


Você atua como professora de arte, em Londres?

Paralelamente à minha carreira artística, também desenvolvo trabalho na área do ensino. A minha carreira como professora teve início em Portugal, logo depois de terminar a Licenciatura em Belas Artes, onde leccionei durante sete anos. A mudança para Londres deu-me a possibilidade de trabalhar em diferentes contextos de ensino, desde escolas com métodos alternativos até aulas privadas, passando por instituições como o RIBA (Royal Institute of British Architects) ou RGHT (Royal Greenwich Heritage Trust).


- Agora em junho estreia a exposição de Paula Rego, a maior retrospectiva da carreira dela em Londres, em 20 anos. O que acha do trabalho da sua conterrânea?

A minha admiração pela Paula Rego surgiu em 2004 com uma visita ao Museu de Serralves, onde tive o privilégio de ver uma belíssima retrospectiva do seu trabalho. Tendo já visitado duas retrospectivas da artista e várias exposições, estou muito curiosa nesta exposição de junho. A obra da Paula Rego é muito poderosa não só em termos visuais e técnicos como também em termos de conteúdo. Considero os temas que explora muito pertinentes e admiro a forma como os desmonta e expõe visualmente. O seu trabalho é profundamente inspirador para mim, enquanto mulher e artista.


FEMINA

Deptford Does Art

28 Deptford High St, SE8 4AF

Só até domingo, 26/05


www.deptforddoesart.com