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Moda & Beleza

Bem-vinda maturidade

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Iris Apfel at MIFF


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Jane Fonda, na capa da edição especial da Vogue britânica; Lyn Slater, do blog Accidental Icon; e Iris Apfel, no alto dos seus 97 anos: chique, com estilo arquitetônico ou bem colorida, envelhecer pode ser libertador


Por Fabiana Corrêa*

Iris Apfel tem 97 anos. E nem por isso se contentou em vestir a camisolinha e ficar em casa de chinelos. Também não gostou da ideia de usar tailleur azul claro e colarzinho de pérola, como outras velhinhas da sua idade. Ela é pura cor, bijus imensos, gestos largos, óculos maiores ainda.

Essa liberdade é um ganho da maturidade que eu adoro. A gente vai começando a perder os enfeites que a natureza deu, já não chama tanto a atenção nas ruas – os velhos reclamam que são invisíveis na multidão. Mas, por isso mesmo, pode se dar ao luxo de fazer o que quiser, sem ter que se adequar ao um dresscode velado. Se quer usar tailleur e cabelo roxinho, beleza, acho chique também. Mas se não quer, há uma série de possibilidades para ser maravilhosa. Seja aos 55 ou aos 95. Como bem nos mostra Iris.

Cabelos brancos estão na moda, então quem tem tudo prateado na cabeça já saiu ganhando. Eles exigem cuidados, claro, mas têm muito estilo. Como as formas vão suavizando, ou seja, cintura, seios e quadris já não estão mais em evidência conforme a gente caminha para a maturidade, as mulheres podem, finalmente, se soltar dessa ditadura que é roupa para valorizar a silhueta.

Digo, podem e devem vestir o melhor para valorizar seu tipo físico, óbvio, mas há uma liberdade, penso eu, um fim para aquela obrigação de ser sexy e gostosa que muita gente se impõe.

Vejo muitas mulheres maduras adotando um estilo bem arquitetônico, cheio de volumes, combinando com os fios prateados. Tipo a Lyn Slater, do blog Accidental Icon (na foto). Um arraso. Tem as coloridas e enfeitadas, como a Iris.

E tem as chiquérrimas, como a Jane Fonda que, aos 81 anos, é capa de uma edição especial da Vogue britânica, patrocinada pela L’Oreal Paris e voltada a mulheres com mais de 50 anos.

Infelizmente, como disse a jornalista Suzanne Moore no Guardian, nossa sociedade ainda está muito presa a parecer mais jovem, e o maior elogio que uma mulher madura pode receber não é “parabéns pelo PhD”, mas, sim, “você não parece ter essa idade!”.

Vamos assumir a idade que temos, seja 40 ou 70. Pode não ser fácil, mas é libertador. Pelo menos em termos de moda.

Não vejo a hora de ser velhinha.


*Fabiana Corrêa é jornalista e consultora de estilo. Mora em São Paulo, cidade onde nasceu; consultoria@fabianacorrea.com.br