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Cinema

​Maior festival de filmes LGBTQ+ da Europa está de volta

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Por Dani Santi - Em um mundo que cada vez mais teme e detesta as diferenças, nada mais revolucionário do que afirmar que o amor é um direito humano. Celebremos então as diferenças e levantemos a voz contra a intolerância, porque o maior festival de cinema LGBTQ+ da Europa está de volta, de 21 a 31 de março, para fazer da sua 33ª edição um espaço vibrante de debate, empatia, comunidade e empoderamento.


A ideia é simples, mas poderosa: celebrar a diversidade sexual e de gênero enquanto se assiste a grandes filmes de todas as partes do mundo. São 11 dias de festas, bate-papos, conferências, eventos ao vivo interativos e, é claro, centenas de projeções, entre curtas e longas, com o melhor do cinema queer contemporâneo.


As opções são muitas e o certo é dar uma boa olhada na programação, mas aqui vão alguns destaques do que vale a pena conferir:


Vita and virginia

Vita & Virginia (Divulgação)


- Para amantes da literatura: uma das grandes estrelas da programação é “Vita & Virginia” (2018), filme de Chanya Button que abre o festival e tem como tema central o apaixonado affair que inspirou uma das maiores obras da literatura do século XX – nomeadamente, o encontro de Virginia Woolf e Vita Sackville-West, em 1922, que acabou por ser a inspiração da autora para escrever “Orlando”.


- Ainda na esfera literária, porém na categoria “embustes infames”: “JT Leroy” (2018), filme de Justin Kelly que encerra o festival, conta a história real (e mais selvagem que a ficção) de um aclamado escritor de livros autobiográficos que nunca existiu. Laura Dern e Kristen Stewart dão vida à dupla de farsantes que decepcionou toda uma geração: a escritora frustrada que inventou o personagem e sua cunhada, que se fazia passar em público por Jeremiah “Terminator” LeRoy.



Socrates

Imagem do longa brasileiro Sócrates (Divulgação)


- Para quem gosta de um bom filme brasileiro: “Sócrates” (2018), dirigido por Alex Moratto e produzido por Fernando Meirelles, narra o drama de um garoto de 15 anos (Christian Malheiros, em atuação excepcional) que depois da morte repentina da mãe tem de enfrentar a dura realidade de São Paulo. Co-escrito, co-produzido e interpretado por jovens das periferias do Brasil, o filme foi premiado e destacado em diversos festivais internacionais.



Priscilla shoe bus

O clássico Priscilla, a Rainha do Deserto (Divulgação)


- Nem tudo o que reluz é contemporâneo, e o BFI tem um clássico na manga: “Priscilla, a Rainha do Deserto” (Stephan Eliott) terá uma projeção especial em homenagem aos seus 25 anos. Com sua trilha sonora gloriosa, seu vestuário alucinante e suas frases icônicas (“Don’t darling me, darling”), a história das duas drag queens e sua líder trans numa aventura épica pelo interior da Austrália é o evento imperdível do Flare.


- Destaque ainda para os premiados “Las Herederas” (Marcelo Martinessi), “Girl” (Lukas Dhont) e “We The Animals” (Jeremiah Zagar); a longa-metragem “Sunburn” (Vicente Alves do Ó) e a curta “Self-Destructive Boys” (André Santos, Marco Leão), únicos filmes portugueses do festival; e os documentários “Making Montgomery Clift” (Robert Clift, Hillary Demmon), “Mapplethorpe” (Ondi Timoner) e “Jonathan Agassi Saved My Life” (Tomer Heymann), este último escolhido como projeção central do festival.


Confira a programação completa em www.bfi.org.uk/flare


BFI Flare

21 a 31 de março

BFI Southbank

Belvedere Rd, Lambeth, London SE1 8XT

www.bfi.org.uk