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Europa

Entregadores brasileiros são alvo de violência em Dublin

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Foto: IWW

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Protesto na região central de Dublin: mais de 100 entregadores relatam situações de violência nos últimos meses


Da Redação - Francisco Teruliano de Oliveira Neto, 30 anos, morava em Dublin há sete meses quando foi vítima de uma triste estatística: mais um entregador brasileiro a sofrer violência por parte de gangues. Neto, como é conhecido na comunidade, foi atacado por um grupo de 11 homens, ficou gravemente machucado e decidiu voltar para o Brasil. A gangue também roubou o dinheiro que ele tinha no bolso.


Mais de 100 trabalhadores da Deliveroo, empresa de delivery que utiliza o serviço de ciclistas, relatam situações de intimidação e mesmo violência quando estão uniformizados e a serviço. Os grupos são formados por maioria de jovens. A polícia da Irlanda informa que há pelo menos uma prisão efetuada.


No final de fevereiro, um grupo de entregadores fez um protesto na frente do escritório da Deliveroo, em Dublin, para exigir o fim da violência. Alguns acusam a polícia de não estar agindo com a eficácia e na velocidade esperadas. A maioria dos profissionais, no entanto, prefere não se identificar ao dar entrevistas por medo de serem reconhecidos e perseguidos.


Para um canal de TV irlandesa, o jovem brasileiro identificado apenas como Mauricio, de 28 anos, disse em inglês que a violência o estava obrigando a deixar o emprego. “Ontem foi meu último dia. Eu não vou mais fazer isso por causa da violência ”, disse. “Quando estamos entregando, temos medo, temos que olhar ao nosso redor o tempo todo, para ver se alguém vai te pegar. Eu não preciso disso. Eu não quero isso para mim. Eu amo ciclismo. Eu amo trabalhar para o Deliveroo, mas não dá.”


Apoio da IWW

O protesto recebeu o apoio da associação Industrial Workers of the World, que publicou nota em seu website em que afirma: “Todos nós, que trabalhamos como mensageiros, conhecemos os perigos físicos que enfrentamos no dia a dia. Não só devemos navegar no tráfego urbano, muitas vezes em condições escuras ou adversas, mas temos muito pouco controle sobre as áreas para as quais viajamos, e aqueles de nós em bicicletas e ciclomotores estão continuamente expostos fisicamente. 


Esses fatores são agravados pelas desigualdades dentro da sociedade em torno de raça, nacionalidade, gênero, sexualidade, idade, capacidade física e assim por diante. Uma área que parece segura para um homem branco, pode não ser tão segura para uma mulher de cor, ou algumas pessoas que se enquadram em perfis raciais da polícia ou das autoridades da Imigração.”