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​Branko, ícone da nova música de Lisboa, faz show em Londres

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Divulgação

Branko 2


Por Dani Santi, de Lisboa - Ele é uma das figuras-chave por trás do novo som de Lisboa, que tem sacudido as pistas ao redor do mundo. É chefe da Enchufada, selo que introduziu o “zouk bass” na cena club em 2014. Também é um dos fundadores do legendário grupo português Buraka Som Sistema, fenômeno musical que extrapolou o kuduro das fronteiras da Angola e fez todo mundo dançar ao som de Kalemba (aka Wegue Wegue). O DJ e produtor português Branko chega a Londres no dia 8 de março para mostrar, com sua música, a outra cara de Lisboa: eclética, sensual, eletrônica, com muita influência africana e brasileira, e uma verdadeira força em ascensão no cenário mundial.


Para os espectadores atentos da última Eurovisão, sua participação junto a Sara Tavares, Mayra Andrade e Dino D’Santiago (três prometedores artistas de origem cabo-verdiana, com quem Branko produziu belíssimas canções) não passou desapercebida. Sua junção hipnótica de afrobeats – afro-house, kizomba, tarraxo e kuduro –, com aberta influência da canção, mostra que a música de Portugal vai muito além do fado e de Salvador Sobral, e que o som e o estilo nascidos há dez anos com o Buraka já não são da periferia.


Branko veio para ficar – e ampliar horizontes. Nosso, seu segundo disco solo – depois do sofisticado Atlas, reproduzido milhões de vezes nos serviços de streaming – assim se define por ser um álbum diverso, cantado em quatro línguas, com temas que vão desde mais ritmados uns a mais atmosféricos outros, em parceria com artistas tão diversos como Umi Copper, Sango, Cosima, Dino D’Santiago, Mallu Magalhães, Catalina Garcia, Miles From Kinshasa, Pierre Kwenders ou Dengue Dengue Dengue.


Mas, mesmo com esta vocação transatlântica e multicultural, todos os caminhos da música de Branko levam à sua Roma particular, a Lisboa onde nasceu e mora, onde cria e produz com vistas para a floresta de Monsanto. Se o vocalista de uma canção é canadense-congolês, proveniente do rap ou do indie-folk, não há, por outro lado, uma música sequer que não tenha como ponto de partida o som de Lisboa. Cada instrumental e batida de Nosso, como ele mesmo define, é de um género distinto do universo da língua portuguesa.


Ora, se Branko mergulhou de cabeça na sonoridade multicultural é porque descobriu em Lisboa a riqueza de uma nova música que, segundo ele, não é um género, e sim uma série de gêneros influenciados pela presença das novas gerações de afrodescendentes dos países de língua portuguesa. A cena musical atual é o resultado desse impacto inegável, que gerou uma quantidade inabarcável de ramificações sonoras. Se o Buraka tinha “qualquer coisa de alienígena”, agora até Madonna se inspira e se alimenta dessa fonte inesgotável de sons.


E não há muito mais a dizer, apenas que Branko celebrará seu novíssimo Nosso no The Jazz Cafe, em Camden Town, a partir das 22h30, com alguns dos melhores DJs da cena atual: os britânicos Mina e Hagan, a excelente Kampire (da Uganda), além da participação especial de Dino D’Santiago, puro carisma e voz de “Nova Lisboa”, um dos hinos lisboetas do momento. Os ingressos (entre £10 e £15), é claro, já estão voando.


BRANKO + KAMPIRE + MINA + DINO D’SANTIAGO + HAGAN

The Jazz Café

5 Parkway, NW1 7PG

https://thejazzcafelondon.com