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Da Bahia à final do Master Chef UK

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Fotos: Reprodução

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Na final do Master Chef UK, Luciana colocou no mesmo prato moqueca, acarajé e caruru. “Eu sabia que era um risco”, conta


Por Marta Stephens - Foi um estrogonofe de carne, com arroz branco soltinho e uma porção especial de batata palha que fizeram Luciana Berry descobrir-se chef de cozinha. Explico: corria o ano de 2005. Luciana, uma baiana nascida e criada em Vitória da Conquista, estudante do curso de engenharia, veio para Londres com planos de passar seis meses, mas acabou ficando. 


Conheceu o ex-marido, pai do seu único filho, e por causa dele foi morar nas dependências da Harrow School, uma escola privada para garotos fundada em 1572, no noroeste da capital inglesa.


A escola há 800 alunos e, uma vez por semana, acontecem jantares festivos com pequenos grupos. Cansada de ver os garotos comerem delivery de péssima qualidade, ela se ofereceu para cozinhar em um desses encontros. Fez o que sabia: estrogonofe brasileiro, para 35 comensais. O sucesso foi tanto que o head master a convidou para cozinhar nos encontros que ele promove em sua casa, e ainda hoje ela segue tendo a Harrow School como cliente de sua empresa de catering, um dos mais disputados serviços de comida brasileira em Londres.


“Comecei a fazer empadão de porco com maça, bife bourguignon, moqueca”, conta Luciana. “Ai entendi que meu futuro profissional estava na cozinha.”


Em 2008, Luciana encarou um grande desafio: cozinhar para o príncipe Andrew, o terceiro filho da rainha Elizabeth II. Recebu uma lista de ingredientes proibidos, entre eles qualquer tipo de óleo de palma, a exemplo do baiano dendê. “Fiz então a moqueca capixaba, e foi um sucesso.”


Nessa época, Luciana trabalhava como gerente de um restaurante italiano e pensou que era momento de dar uma retaguarda profissional ao que até então não passava de intuição. Foi quando se matriculou na escola francesa de gastronomia Le Cordon Bleu, em Londres. Uma semana depois de concluir o curso de um ano, ela se inscreveu para uma vaga no programa de TV Master Chef – e foi selecionada.


A competição reuniu naquele ano 50 competidores. Luciana conquistou jurados e telespectadores com uma comida moderna, com técnica bem aplicada e um temperinho brasileiro. Passou algumas etapas e chegou à final, com apenas oito cozinheiros. 


Na prova decisiva, ela foi pura coragem e colocou no mesmo prato moqueca, acarajé e caruru. “Eu sabia que era um risco”, conta. “Lembro do Marcus Wareing, que era um dos jurados, surpreso dizendo que não conhecia aqueles ingredientes.” Luciana não ganhou o Master Chef, mas saiu de lá para ser uma das mais disputadas e famosas chefs brasileiras em atividade na Inglaterra.


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A agenda de eventos de Luciana é extensa. Ela viaja para outros países da Europa para representar essa moderna cozinha brasileira, precisa na técnica e exuberante nos sabores. Às vezes promove jantares que são sempre disputadíssimos. Já perdeu a conta de quantas vezes cozinhou para embaixadores, jogadores de futebol e outras celebridades. “Já fiz jantares para 300 pessoas e apenas para um casal”, diz.


Pão de queijo feito com parmesão maturado por 32 meses e manteiga trufada, ensopados e moquecas de frutos do mar, picanha com molho chimichurri, bolo de mandioca com coco... Luciana não mede esforços para fazer seus pratos de acento brasileiro. Para preparar o pato com tucupi, por exemplo, ela faz o próprio tucupi, espremendo mandioca com as mãos e deixando o líquido fermentar por 24 horas.


“Eu amo comida brasileira e me sinto honrada em apresentar nossos ingredientes”, diz a cozinheira baiana, criativa e inquieta, sempre inventando modas. Uma das últimas criações foi a coxinha sem massa, com o recheio mtípico empanado na farinha Panko. “Os ingleses adoram”, conta. Os brasileiros também, claro.


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