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O português Hugo Brazão é o vencedor do prêmio VIA Arts 2018

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A obra Hiato, de Hugo Brazão, ganhou a principal premiação de artes visuais, voltada à

comunidade ibero-americana no Reino Unido


Por Marta Barbosa

O português Hugo Brazão venceu o VIA Arts 2018, principal prêmio de artes visuais voltado à comunidade ibero-americana no Reino Unido. A peça Hiato, do artista nascido na ilha da Madeira, foi considerada pelo júri “um questionamento ao mundo onde as fronteiras entre o real e o irreal são obscuras”.

Hugo, que mora em Londres desde 2013, quando começou o mestrado em Fine Art na Central Saint Martins, venceu dezenas de artistas de outros países e recebeu £5000, premiação doada pelo quarto ano pelo banco brasileiro Itaú.

Por e-mail, Hugo respondeu a perguntas da reportagem de Notícias em Português.

Notícias em Português – Qual foi a inspiração para produzir a obra vencedora Hiato?

Hugo Brazão - O painel têxtil com o qual eu concorri ao VIA Arts Prize foi inspirado numa ligação fictícia entre dois espaços que existem na ilha da Madeira.A ideia para fazer esta obra surgiu quando eu estava a passar algum tempo na Madeira em 2017.

Que espaços, exatamente?

São dois espaços que apesar de estarem separados geograficamente tinham semelhanças entre si. O que me chamou a atenção para isso foi que em ambos os sítios existia um forno a lenha, como os que existem em muitas casas tradicionais madeirenses. Esse forno acabou por ser retratado na peça, pois considerei-o como a possível entrada para essa ligação fictícia.

O quanto Portugal está presente na sua produção artística?

O facto de eu ter nascido e crescido em Portugal possivelmente tem alguma influência nos temas ou opções estéticas que o meu trabalho toma, mas isso não é necessariamente algo que eu tenha até a data tido intenção de explorar.

E como a vida em Londres modifica o seu olhar?

Londres é uma cidade extremamente diversificada e acredito que isso acaba por instruir uma grande abertura mental e ambição por parte de quem aqui vive. Acho que essa diversidade influencia o meu trabalho sob diversas formas e essa ambição motiva-me a continuar a fazê-lo.

Seria sua obra um alerta ao impacto da pós-verdade e hiper-realidade na vida moderna?

Sem falar directamente sobre casos específicos, o meu trabalho pretende iniciar e incentivar o diálogo sobre as políticas da pós-verdade que existem neste momento.

Em que projeto você trabalha no momento?

Neste momento estou a preparar uma exposição individual que vai inaugurar no dia 24 de janeiro no Las Palmas, em Lisboa.

Se pudesse sugerir a um artista lugares essenciais para visitar e buscar inspiração em Londres, quais seriam?


Há imensos sítios que qualquer artista que visite Londres deveria conhecer e por essa razão é difícil eleger um. Para além dos grandes museus, há boas galerias de arte fora do circuito turístico que merecem ser visitadas.