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Época das ondas gigantes de Nazaré

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Bem em frente à vila de Nazaré, há um gigantesco desfiladeiro sub marino de 211 km 

de extensão e 5 mil metros de profundidade 


Por Dani Santi, de Nazaré, Portugal


Ondas enormes quebrando num estrondo. Gritos e aplausos cada vez que um surfista do tamanho de uma formiga recorta o mar em alta velocidade. “É como ser perseguido por uma avalanche”, disse um deles. Os jet skis não param, drones e GoPros registram cada detalhe.

Nazaré é um espetáculo a céu aberto, concorrido, perigoso, dramático, imprevisível. Quem quiser assistir em primeira fila que se arme de paciência. Estamos em Portugal, o país off-road por excelência, onde qualquer passeio pode virar uma odisseia.

Depois de rodar 130 km desde Lisboa, é preciso encontrar uma vaga em meio ao caos, atravessar a longa Praia do Norte com sua densa maresia, escalar a encosta que leva ao farol com precisão caprina (quase não há escadas, e quando chove há

barro por tudo), subir ao Forte de São Miguel Arcanjo, disputar um espaço entre o público que se aglomera contra o parapeito e, só então, descobrir o que é que Nazaré tem: as maiores ondas do mundo e surfistas dispostos a surfá-las.

Verdadeiros paredões líquidos, as ondas podem alcançar até 30 metros de altura, o equivalente a um edifício de 10 andares. O fenômeno se deve a um acidente geográfico raro: bem em frente a esta vila portuguesa, há um gigantesco desfiladeiro submarino de 211 km de extensão e 5 mil metros de profundidade – uma poderosa incubadora de ondas gigantes, conhecida como Canhão da Nazaré.

Foi aqui que os brasileiros Rodrigo Koxa e Maya Gabeira bateram os recordes mundiais de maiores ondas já surfadas, entrando ambos para o Guinness em 2018. Koxa desbancou o americano Garrett McNamara, detentor do recorde desde 2011, ao surfar uma onda de 24,38 metros. Maya quase morreu em 2013, depois de ser engolida por um destes paredões e ficar inconsciente, mas voltou em janeiro deste ano para bater o recorde feminino com uma onda de 20,72 metros.

O domingo (18/11) era para ter sido histórico, mas as ondas não cumpriram as expectativas. Já os surfistas literalmente voaram, droparam tubos perfeitos, e teve até quem foi parar no hospital e voltou com pontos na cabeça. “Não era o swell que esperávamos, mas deu para se divertir”, disse uma surfista depois de uma performance espetacular. O Canhão que me desculpe, mas são esses malucos que estão colocando Nazaré no mapa.