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Bolsonaro promete pacificar país, mas também “varrer” adversários

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Foto: Tânia Rengô/Agência Brasil


(RIO DE JANEIRO) Por Denis Kuck - O candidato Jair Bolsonaro, do PSL, foi eleito novo presidente do Brasil nas eleições de 2018, derrotando no 2º turno, realizado em 28 de outubro, o petista Fernando Haddad. O deputado terminou a disputa com 55,13% dos votos (quase 58 milhões), enquanto o ex-prefeito de São Paulo ficou com 47,87% (47 milhões). O número de brancos e nulos somou 9,57%. Já as abstenções foram as maiores dos últimos 20 anos, atingindo 21,3% dos votos, o que dá mais de 30 milhões de pessoas que não compareceram às urnas.


Antipetismo foi fator importante

A eleição foi marcada pela polarização, fake news e teve muitas reviravoltas. A campanha de Bolsonaro, com apenas alguns segundos de televisão e apenas dois partidos, o PSL e o PRTB, concentrou-se nas redes sociais e mensagens por celular. No entanto, o projeto do candidato para se tornar presidente começou há muito tempo, pouco após as eleições de 2014, o que o ajudou a ir sedimentando suas bases por todo o Brasil. Os adversários, por outro lado, demoraram a agir. O PT insistiu na candidatura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que acabou impugnada, abrindo espaço, na reta final, para Haddad. A força de Lula se mostrou suficiente para levar o petista para o 2° turno, mas não para vencer a corrida.


Bolsonaro ganhou surfando na onda do antipetismo, mas também em função de uma pauta extremamente conservadora nos costumes e de se apresentar como um homem capaz de resolver o grave problema de segurança no país. Para isso, defende a liberalização da posse de armas e construção de presídios, além de mudar as leis para que policiais não possam ser julgados por possíveis mortes em serviço. Além disso, o candidato critica os direitos humanos, que embora seja um conceito civilizatório e universal, para ele serve para proteger bandidos.


Foto 1

Haddad deseja “boa sorte” a Bolsonaro (Rovena Rosa/Agência Brasil)


Antissistêmico com apoio do sistema

Embora tenha se colocado como um candidato antissistema, Bolsonaro acabou angariando o apoio de forças importantes do país, como mercado, igreja, ruralistas, empresários, militares e inclusive muitos meios de comunicação, que abertamente passaram a defender o candidato. Com essa forte base e ao mesmo tempo com um discurso de que era o homem capaz de acabar com a roubalheira no país e mudar a política, ele se tornou imbatível.


Bolsonaro soube como ninguém se aproveitar do descontentamento geral da população com a corrupção, insegurança e com a política de modo geral. Num primeiro turno com 13 candidatos na disputa, já ganhou com 46% dos votos, o que demonstra o respaldo dos eleitores ao seu projeto e ideias. Seu histórico de declarações extremistas, homofóbicas, racistas e machistas, embora tenha lhe valido a rejeição de mais de 40% do eleitorado, não foi o suficiente para que perdesse as eleições. O candidato derrotado, Fernando Haddad, embora tenha conseguido angariar o apoio de muitas personalidades e forças de esquerda, centro e até de centro-direita, perdeu parte do eleitorado histórico do PT, que migrou para Bolsonaro.


Vitória nos maiores colégios eleitorais

O petista venceu em todos os estados do Nordeste, Tocantins e Pará, enquanto Bolsonaro ganhou no restante do país, em alguns lugares com ampla diferença de votos, como São Paulo, Minas Gerais e Rios de Janeiro, os maiores colégios eleitorais do país. Com isso, o capitão reformado garantiu a faixa presidencial.


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Eleitores de Bolsonaro celebram a vitória em Brasília (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)


Em seu discurso da vitória, lido por ele, Bolsonaro falou em respeitar a Constituição, pacificar o Brasil, dar mais segurança para o povo, desburocratizar a economia e ajudar empresários a empreender. Também disse que a propriedade privada será defendida e que a iria eliminar o “comunismo” do Brasil, embora o governo do PT nunca tenha sido comunista e nem próximo disso. Uma semana antes de eleito, ao falar para apoiadores na Avenida Paulista, Bolsonaro disse que iria varrer vermelhos (em referência a petistas e a militantes de esquerda) do país, que eles sentiriam o peso da polícia no lombo, com respaldo do judiciário, e que a eles restaria a prisão ou o exílio. Ainda no 1º turno, também disse que acabaria com o ativismo no país.


Deputado a quase 30 anos, agora Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto.