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Cautelosa, Europa cobra respeito à democracia

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Da Redação - Autoridades europeias receberam com cautela a vitória do candidato Jair Bolsonaro, do PSL, no 2º turno das eleições brasileiras, realizadas no dia 28 de outubro. O político é conhecido por seu apoio à ditadura e declarações autoritárias. O tom de defesa e valorização da democracia entre os países da União Europeia, França e Espanha foi unânime. A posição foi diferente das celebrações feitas pelo presidente americano, Donald Trump, e alguns líderes conservadores da América Latina. Os elogios ao processo eleitoral e democrático, no entanto, estiveram presentes em todas as declarações.


Em entrevista para o Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, o embaixador e conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) José Alfredo Graça Lima disse que a força do histórico do Itamaraty, que quase sempre adotou a neutralidade diplomática, deve prevalecer sobre possíveis excessos do novo governo. Para ele, as declarações enfáticas dos líderes mundiais em defesa do processo eleitoral refletem o esforço em manter as portas abertas para o Brasil. “Fiquei pessoalmente surpreso com manifestações de lideranças que não concordam com o ideário do presidente eleito, mas louvaram o processo eleitoral. Tudo isso cria um clima bastante favorável para essa integração, independentemente de considerações políticas”, avalia Graça Lima.


Outros especialistas, no entanto, temem que Bolsonaro adote uma postura mais agressiva e parcial, por exemplo, em relação ao conflito entre Israel e Palestina e à Venezuela. O presidente eleito diz que os governos anteriores sustentavam “ditaduras comunistas” e a política externa era movida por ideologia. Nos últimos 14 anos, houve uma tentativa de fortalecimento da América do Sul e Latina, assim como dos países em desenvolvimento e uma maior atenção à África. O Brasil, no entanto, nunca deixou de comercializar e dialogar com todos os países do mundo.


Macron cobra respeito às instituições


Na América Latina, as declarações dos presidentes da Colômbia, Iván Duque, e do Paraguai, Mario Abdo, foram de euforia. Ambos foram eleitos esse ano favorecidos por movimentos conservadores. Já a Venezuela, cujo governo é alvo de críticas de Bolsonaro, parabenizou os brasileiros pela “celebração cívica”.


Entre as autoridades europeias, o tom ante a eleição do ex-capitão do exército foi crítico e cauteloso. Na França, o presidente Emmanuel Macron saudou o político do PSL, mas cobrou do futuro dirigente brasileiro o respeito às instituições.


“A França deseja prosseguir sua cooperação com o Brasil em um marco de respeito a estes valores, para enfrentar os grandes desafios contemporâneos de nosso planeta, tanto nos âmbitos da paz e segurança internacionais como no marco da diplomacia do meio ambiente e do Acordo de Paris sobre o clima”, declarou. Bolsonaro inicialmente criticou a ONU e declarou que deseja sair do Acordo de Paris sobre o clima, além de demonstrar desprezo pelas pautas ambientais e indígenas.


Já Aurore Bergé, porta-voz do partido de Macron, A República em Marcha, posicionou-se contra a eleição de Bolsonaro. “Nenhuma democracia está livre. Os democratas e liberais têm a obrigação de reagir. Nós estamos conscientes e sentimos esse fardo porque ele nos lembra contra quem fomos eleitos”, declarou Bergé, em referência a Marine Le Pen, da Frente Nacional.


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O presidente frânces, Emmanuel Macron cobrou o respeito às institiuições 

(Reprodução/Facebook Élysée – Présidence de la République française)


Le Pen parabeniza presidente eleito


A líder da extrema-direita, por sua vez, parabenizou Bolsonaro pelas redes sociais e sentenciou que os brasileiros haviam sepultado “a corrupção generalizada e a aterrorizante criminalidade que prosperaram nos governos de extrema-esquerda”.


O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, não parabenizou Bolsonaro e optou por se dirigir à população do país. “O povo brasileiro decidiu seu futuro para os próximos anos. Os desafios serão enormes. O Brasil contará com a Espanha para alcançar uma América Latina mais igual e mais justa”, publicou o premiê de centro-esquerda no Twitter.


Foto 2

Pedro Sanchéz, primeiro-ministro da Espanha optou se dirigir à população do Brasil 

(Reprodução/Twitter)


Comissário europeu vê Bolsonaro como populista radical


Dentro da UE houve críticas contundentes. O comissário europeu para a Economia e Comércio, o francês Pierre Moscovici, declarou que Bolsonaro “é evidentemente um populista de extrema direita” e que, atrás dele, “vemos a sombra dos militares que estiveram por um longo tempo no poder no Brasil, constituindo uma ditadura terrível”. A porta-voz da Comissão Europeia, Natasha Bertaud, foi um pouco mais branda, mas cobrou apreço aos valores democráticos: “Nós esperamos de todo futuro presidente que ele trabalhe para consolidar a democracia, para o bem do povo brasileiro”.