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Semana de moda de Londres: à espera de um “bom Brexit”

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Por Colin Gordon - A última edição do London Fashion Week (14 a 18 de setembro), no qual foram exibidas as tendências para a primavera-verão 2019, acaba de terminar. Como sempre, o evento contou com as estatísticas do Conselho Britânico da Moda (BFC, na sigla em inglês), que ressaltou £ 32 bilhões que a indústria contribui para a economia do Reino Unido. Segundo o órgão, o evento consolida a posição de Londres como um centro global para a criatividade, inovação e comércio”.



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Foto: Divulgação/Laura Teck


No entanto, era evidente a preocupação com o impacto potencialmente negativo para osetor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) em 29 de março de 2019. De fato, a nova presidente da BFC, Stephanie Phair, reconhecido em entervista ao jornal Evening que a indústria enfrenta desafios extraordinários em temas como sustentabilidade e o Brexit.


Dois dias antes, o mesmo jornal, em matéria intitulada "O aumento dos custos e escassez de modelos: Sinalizando lutando Brexit", destacou os "crescentes temores". Citando John Horner, presidente da Associação Britânica de Agentes de Modelos de Moda, o artigo apontou que "os estilistas gostam de recrutar modelos pouco conhecidos", assim, se a vinda de modelos europeus à Grã-Bretanha significar mais burocracia e maiores custos com passaportes e vistos, então "as passarelas poderão sofrer uma escassez de novos rostos".


A presidente-executiva da BFC, Caroline Rush, por sua vez, enfatizou a importância de assegurar que 60% dos modelos internacionais e da UE que participam do LFW possam entrar facilmente no Reino Unido.


Enquanto isso, o designer Sadie Williams, com sede em Hackney, Londres, está particularmente preocupado com o possível aumento dos preços dos materiais caso o Reino Unido não consiga um acordo favorável de livre comércio com Bruxelas, já que compra muitos de seus tecidos da UE.


O costureiro Minki Cheng, no entanto, é mais otimista: "Se o governo e o conselho criativo se comprometerem em proteger a indústria e seus talentos, acreditamos que Londres continuará sendo superior".


No entanto, esta não foi a essência de um artigo anônimo publicado na edição do Evening Standard de 14 de setembro, dia da abertura do LFW. O texto contou com a frase "A moda odeia o Brexit”, que a costureira inglesa Katharine Hamnett, "famosa

pela sua filosofia empresarial ética", usou em sua nova coleção de camisetas.


O autor observou que 90% dos estilistas britânicos votaram pela permanência na UE e que o Richard Lim, diretor-executivo da Retail Economics, prevê que o preço de um par de jeans provavelmente vai subir depois Brexit, devido à introdução de tarifas e ao êxodo dos europeus empregados em lojas e armazéns britânicos.


De acordo com a editora do site "Ready for Brexit”, Anna Tobin, "negócios que agora são feitos sem pensar, como o envio de tecidos de fábricas italianas, fornecimento de componentes de China, Turquia e Índia, vão se tornar um pesadelo logístico”.


O artigo do Evening Standard, no entanto, admite que "nem tudo é ruim", e que a desvalorização da libra esterlina tem visto um aumento no número de turistas chineses, americanos e árabes gastando mais dinheiro na "West End" de Londres.


Outra controvérsia, embora diferentes, veio no segundodia da LFW SS19. Como a colunista do“The Guardian” Hadley Freeman observou, "todo mundo sabe que a fila onde você está sentado na LFW é um reflexo de sua suposta importância". 


Em 15 de setembro, o "correspondente da riqueza" do jornal, Rupert Neate, revelou que os assentos da primeira fila são colocados à venda por até £ 5.000 cada.


Caroline Rush argumenta que a prática de vender ingressos na primeira fila permite ao BFC "oferecer a um preço reduzido locais de qualidade suprema para os desfiles de estilistas em ascensão".  



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Fotos: Divulgação/Laura Teck